Izabel Citadin observa os rastros deixados pelo temporal em sua propriedade localizada em Treze de Maio  - Fotos:Lysiê Santos/Notisul
Izabel Citadin observa os rastros deixados pelo temporal em sua propriedade localizada em Treze de Maio - Fotos:Lysiê Santos/Notisul

Lysiê Santos
Treze de Maio

Pense em uma mudinha de eucalipto sendo plantada por um jovem agricultor. Quarenta anos depois, aquela pequena plantinha se transforma em uma árvore viçosa de mais de 30 metros de altura, e mais de um metro de espessura.

O jovem se torna um homem empreendedor do meio rural e diariamente observa com orgulho seus hectares com centenas de eucaliptos que servirão de madeira nobre movimentando a economia da região. De repente, a natureza decide tocar na própria natureza e mostrar sua força ao ser humano. O vendaval registrado no último dia 16 de outubro colocou aquela árvore imponente no chão, como um simples graveto causando um enorme prejuízo ao homem do campo. 

Essa é a realidade de centenas de produtores da região que ainda contabilizam os estragos causados pelo fenômeno climático. Em Treze de Maio, o empreendedor Vilson Nandi teve sua plantação de eucaliptos devastada. Cerca de 250 m³ de madeira de 38 a 40 anos foram derrubadas pelo vento. “O prejuízo foi grande. Nunca tinha visto algo do tipo. Agora enfrentamos dificuldade para achar comprador para essas madeiras”, afirma. 

A esposa do produtor, Izabel Citadin Nandi, estava sozinha na propriedade do casal localizada na comunidade de Boa Vista, em Treze de Maio, quando tudo aconteceu e está traumatizada com a situação. “O barulho era alto, a sensação é que a casa tremia e quando olhei pra fora, a estrada estava cheia de árvores enormes espalhadas no chão. Fiquei muito assustada”, relembra. 

Sem teto
Além da produção no campo, Vilson Nandi também atua no ramo industrial e teve seus galpões destruídos pelo vendaval. Três estruturas localizadas no bairro São João, em Tubarão, encontram-se sem telhado. As lâminas de ferro que cobriam os galpões foram arrancadas e retorcidas causando prejuízos de mais de R$ 300 mil ao empresário. 


A estrutura que cobria o galpão foi arrancada pelo vento no bairro São João, em Tubarão

Agronegócio ameaçado após o vendaval
O prejuízo para o agronegócio na região é bastante significativo, principalmente por não ter fonte de financiamento diferenciada para danos por eventos climáticos. A Epagri elaborou um relatório das perdas estimadas e encaminhou à Secretaria da Agricultura e Pesca do Estado de Santa Catarina, com o objetivo de subsidiar informações sobre o setor agropecuário e estudar meios de auxiliar as vítimas.  O gerente regional da Epagri de Tubarão, Gustavo Gimi Santos Claudino, explica que a maioria das áreas de cultivo não possui seguro, e ainda há as perdas indiretas como danos ao armazenamento de fumo em sistema de secagem, perda de adubos, sementes entre outros. “São danos que ainda não foram contabilizados e que podem reduzir a produtividade para as próximas safras. Na produção animal, houve grande impacto no setor de suínos, aves, piscicultura e bovinocultura de leite. Isso aumentará a contabilização de danos na agropecuária de nossa região”, analisa.

Epagri realiza balanço dos estragos na região
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), por meio das equipes municipais, iniciou um diagnóstico e levantamento preliminar dos danos no meio rural. De acordo com o gerente regional da Epagri em Tubarão, Gustavo Gimi Santos Claudino, o prejuízo estimado é de mais de R$ 10 milhões. “Houve perdas em infraestruturas como galpões, estufas de fumos, cultivos protegidos e, principalmente em reflorestamentos de eucaliptos, que acreditamos ser a cultura mais afetada”, detalha.
 Na produção animal, os danos foram relacionados à falta de energia elétrica em função das quedas de árvores sobre postes e rompimento de fios. “Isto ocasionou problemas na bovinocultura de leite, com a dificuldade da ordenha automatizada e resfriamento do leite ocorrendo casos de descarte”, destaca o gerente.


O agricultor Gervásio Sumariva, de Treze de Maio, teve perdas com a plantação de eucalipto e encontra dificuldade para vender a madeira danificada