Amanda Menger
Tubarão

Dia 24 de setembro. Este é o prazo que uma equipe formada por diversos órgãos estaduais tem para elaborar o projeto de manutenção da calha do rio Tubarão. A proposta abrange, inclusive, a batimetria, que ‘quantifica’ o assoreamento do rio. Este estudo é necessário para que o rio possa ser redragado. Desde 1982, quando um consórcio de empresas concluiu o trabalho de dragagem e retificação do rio Tubarão, com a retirada de 16 milhões de metros cúbicos de areia, só foi realizado um trabalho pontual de retirada de areia, pela Cidasc, em 1997.

O projeto de manutenção foi lançado durante o seminário que lembrou os 35 anos da enchente, em 24 de março deste ano. “Na quinta-feira, os técnicos que irão realizar o trabalho reuniram-se na Cidasc, em Tubarão. Conversamos sobre o plano de trabalho, as tarefas que precisam ser feitas nestes seis meses. Alguns equipamentos precisam ser adquiridos, além de levantamento de campo, compilação de dados e a elaboração do projeto técnico”, explica o gerente de infraestrutura da secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão, Léo Goularte.

A intenção é também ter subsídios para o licenciamento ambiental com o Ibama e Fatma, além da Delegacia da Capitania dos Portos, em Laguna. Somente com este material concluído é que os recursos solicitados ao governo federal, em janeiro deste ano, pelo vice-prefeito de Tubarão, Felippe Luiz Collaço (PP), o Pepê, poderão ser liberados. Estima-se um montante de R$ 25 milhões para a redragagem de 31 quilômetros do rio, entre o perímetro urbano de Tubarão até a foz, na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, em Laguna.

A dragagem
• Com a enchente de 1974, os órgãos públicos realizaram diversos estudos e até alguns projetos. O extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) apresentou, em 1976, o Projeto de Aproveitamento Múltiplo dos Recursos Hídricos e Controle de Enchentes. Este projeto envolvia três obras: a dragagem e retificação do rio Tubarão; a construção de três barragens; e ainda a abertura das barras do Camacho, em Jaguaruna, e de Laguna.

• O único trabalho executado foi a dragagem do rio, que levou quatro anos para ficar pronto. Os demais ficaram no papel. O trabalho foi feito por um consórcio formado por quatro empresas – três delas responsáveis pela retirada de areia e retificação das margens e outra pelos projetos de engenharia.

• Entre 1978 e 1982, foram retirados 16 milhões de metros cúbicos de areia entre a ponte pênsil (em frente à Unisul) e a foz do rio Tubarão, na lagoa Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, um trecho de aproximadamente 27 quilômetros.

• Em 1997, a Cidasc extraiu areia em pontos considerados críticos em termos de assoreamento. Foram retirados 155 mil metros cúbicos de areia entre as pontes Manoel Alves dos Santos (Morrotes) e Orlando Francalacci (Quartel) e no encontro dos rios Tubarão e Capivari de Baixo.