Os juízes Narbal e Camila lembram que não recebem nenhuma segurança. Há 70 anos, é aplicado o direito trabalhista no Brasil. Os juízes precisaram fazer uma paralisação para cobrar os próprios direitos.
Os juízes Narbal e Camila lembram que não recebem nenhuma segurança. Há 70 anos, é aplicado o direito trabalhista no Brasil. Os juízes precisaram fazer uma paralisação para cobrar os próprios direitos.

Karen Novochadlo
Tubarão

Aproximadamente 20 mil audiências foram canceladas na vara do trabalho em todo o Brasil. Em Tubarão, na primeira e segunda varas, de 25 a 30 encontros deixaram de ser realizadas. Grande parte dos magistrados federais e do trabalho paralisou as atividades ontem para reivindicar melhores condições para o desempenho da função. Somente os casos graves e urgentes foram atendidos.

Caso nenhuma providência seja tomada, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) avaliará a realização de uma paralisação por um período de tempo maior.
Narbal Antônio de Mendonça Fileti, juiz da 2ª vara do trabalho de Tubarão e diretor de formação e cultura da Anamatra, explica que os magistrados têm três reivindicações: mais segurança, reajuste salarial (o último foi em 2009) e abertura de novas varas.

A juíza substituta da segunda vara de Tubarão, Camila Torrão Britto de Moraes Carvalho, ressalta que os magistrados não requisitam aumento salarial, e sim a reposição de acordo com a inflação. A defasagem chega a 25%.
O próprio Narbal recebeu uma ameaça de morte quando atuava na vara de Criciúma. Ele lembra que a região sul de Santa Catarina até pode ser considerada tranquila em com outros estados, como Amazonas, onde a situação dos juízes é mais crítica.

Aumentar o número de varas resultará na diminuição da carga de trabalho dos juízes. Alguns trabalham até dez horas por dia. Outros extrapolam este horário. Isto traz consequência ruins para a saúde. Hoje, a categoria sofre com estresse e abusa de medicamentos. Cerca de 30% da classe está de licença devido ao uso de remédios.