A produção leiteira da região sul de Santa Catarina é responsável por mais de 8% do total coletado por ano no estado.
A produção leiteira da região sul de Santa Catarina é responsável por mais de 8% do total coletado por ano no estado.

 

Zahyra Mattar
Laguna
 
Um dos alimentos essenciais, especialmente para as famílias com crianças, o leite, já está alguns centavos mais caro do que o observado no fim do ano passado.
 
Em 2010, as marcas importadas tinham preço médio de R$ 1,44 a caixinha nos supermercados de Tubarão. Entre as nacionais, o valor médio era de R$ 1,66. Agora, o menor preço encontrado é na faixa de R$ 1,59 (importado) e R$ 1,99 (nacional). 
 
Hoje, o custo da produção de leite (média de R$ 0,50 a R$ 0,60 por litro) é alto perto do lucro que gera – aproximadamente R$ 0,65. Mas as novas regras do mercado podem ser ditadas a partir de abril, quando começa a entressafra.
 
Nesta quinta-feira, produtores e empresários do setor lácteo reúnem-se no oeste do estado para tentar subsídios ao setor. Um dos principais assuntos será a importação, principalmente do Mercosul.
 
Os países vizinhos têm vantagens econômicas, devido ao sistema cambial, que impactam negativamente no mercado interno, tanto na indústria, como para os produtores. Justamente por isso, o setor quer, para este ano, uma política inclusiva e unificada.
 
Uma das saídas para acabar com a guerra fiscal na comercialização de leite e derivados entre os estados do sul é montar índices para ajuste dos impostos nos três estados.
 
“Não queremos vantagens, mas igualdade de condições de competição com o restante do país e com o mercado internacional”, pontua o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados de Santa Catarina (Sindileite), Arley Felipe.
 
Na região
O Vale do Braço do Norte é o maior produtor de leite do sul do estado. A agroindústria processa, em média, 350 mil litros por dia. Mais de 1,6 pequenos produtores e 11 laticínios atuam na região. A maioria deles em Braço do Norte. A mesorregião do sul é a terceira maior em produção leiteira de Santa Catarina. É a responsável por 8,2% do total gerado no estado.
 
Sobe o salário… sobe tudo
Você tem percebido que quando vai ao supermercado precisa deixar ‘os dois olhos da cara’ para pagar o que está no carrinho? A alusão à expressão popular – ‘custa os olhos da cara’ – não é mero acaso.
Comer bem custa caro. Muito caro. E deverá ficar tudo pela ‘hora da morte’, especialmente com o aumento do salário este ano e projeção da inflação para os 12 meses de 2011 (veja no E Mais…, ao lado).
Um dos alimentos que mais puxaram a inflação no fim de 2010, a carne, deve continuar a subir e ficar cada vez mais escassa no prato do consumidor. Ainda que o nível econômico do brasileiro tenha melhorado, o efeito cascata é quase uma regra básica na economia do país.
E voltamos para o salário mínimo. ‘Ele’ sobe, sobem também o gás, os combustíveis, os alimentos. Mas, no campo das carnes, o suíno e o frango continuam como a melhor opção para a dona de casa.
Pelo menos garantem o churrasquinho do domingo, ainda que o bom mesmo seja a picanha suculenta. O problema é que o corte está entre os que sofraram aumento de mais de 20% em novembro de 2010.
O suíno teve acréscimo de 30% no mesmo mês do ano passado. O frango: 50%. O problema foi o milho. A saca de 100 quilos passou de R$ 14,00 para R$ 28,00. E cerca de 80% da alimentação do penoso é o milho.
“Como o insumo não caiu ainda, a tendência é continuar com o mesmo preço de 2010. Não acredito em uma nova alta”, tranquiliza o diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultores (Acav), Ricardo de Gouveia.