Zahyra Mattar
Tubarão

As vantagens anunciadas para os trabalhadores do Besc, quando o banco foi incorporado ao Banco do Brasil, em outubro do ano passado (pelo valor de R$ 685 milhões em ações), não ocorrem exatamente na prática. Desde dezembro do ano passado, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região negocia para ajustar a incorporação às regras a que os besquianos precisam adequar-se.

O principal embate está no Plano de Cargos e Salários (PCS). “Há pontos prejudiciais aos trabalhadores do Besc no programa de transferência de trabalhadores para a carreira no BB. Para nós todos, deveriam ter os mesmos direitos. Mas não é o que ocorre”, argumenta o presidente do sindicato, Armando Machado Filho.

O Banco do Brasil possui crescimento de cargos de 12 níveis. A cada três anos, o funcionários é promovido. O BB sustenta que os trabalhadores vindos do Besc terão que iniciar, todos, a carreira do zero. “O Besc possui funcionários com 30 anos de casa. Não há sentido nele começar a galgar a carreira do zero. Já deveria estar no patamar dez (do BB), no mínimo. No Besc, os trabalhadores com menos tempo de casa estão lá há cinco anos. Deveriam estar no nível um ou dois no BB”, rebate Armando.

O presidente também questiona o prazo “reduzido” para que os funcionários do Besc optem pela migração ou não e reclamam do suposto descumprimento de compromissos assumidos anteriormente pela direção do BB. Um destes pontos, quanto à migração de bandeira, por exemplo, é que o PCS não é retroativo a outubro, quando ocorreu a incorporação. “Mais uma vez, o besquiano perde”, lamenta Armando.

Quanto ao Programa de Demissões Incentivadas (PDI), as regras também mudaram. São oferecidos poucos mais de R$ 12 mil para o besquiano “antigo” abrir mão do cargo. No PDI do Besc, os valores giravam, por exemplo, em R$ 300 mil. Ainda em novembro, o sindicato havia solicitado que o banco fizesse alterações no programa. Uma nova reunião com a direção do BB para debater a transição ocorrerá nesta quarta-feira, em Florianópolis.