Zahyra Mattar
Tubarão

Segundo estudo do Instituto Acende Brasil, o consumo clandestino de energia elétrica causa prejuízo de R$ 5 bilhões às concessionárias brasileiras. Este valor não é computado somente por conta dos “gatos” (em termos judiciais: furto de energia elétrica). Os consumidores que não pagam as suas contas de luz geram mais R$ 1 bilhão de prejuízo para as distribuidoras. Esta é a cifra, por exemplo, que a Celesc acumula em Santa Catarina.

Metade deste valor (R$ 500 milhões) refere-se apenas aos consumidores residenciais, comerciais e industriais que não pagam as faturas. Na gerência regional da estatal catarinense em Tubarão, o valor gerado pela inadimplência é de R$ 1,128 milhão. A regional é responsável por 11 municípios (Tubarão, Imbituba, Laguna, Imaruí, Sangão, Jaguaruna, Orleans, Lauro Müller, Pedras Grandes e Garopaba). Mais de 135 mil cidadãos são assistidos.

Destes, 9,5 mil devem ficar sem energia nos próximos dias por conta de serem inadimplentes. Somente em Tubarão, quase duas mil pessoas estão nesta condição. “Para voltarmos a ter equilíbrio, tanto nas contas quanto na questão de distribuição de energia elétrica, precisamos cortar o fornecimento para estes 9,5 mil consumidores. Isto não tem somente a ver com as contas da empresa, mas também é sinônimo de respeito com o bom pagador. O adimplente sempre paga por ele e por aqueles que se negam a pagar aquilo que devem”, constata, pontualmente, o gerente comercial da Celesc em Tubarão, Pedro Paulo de Souza.

Para chegar a este número, será feito uma espécie de mutirão. Oito equipes de profissionais serão divididos nos municípios para efetuar, a partir da próxima semana, 400 cortes por dia. A ação está prevista para durar cerca de 14 dias e será iniciada em Tubarão, Laguna e Garobapa, as três cidades com maior número de inadimplentes da Amurel.

Fiscalização será rígida na Amurel
Fato: as pessoas não priorizam a energia elétrica. Como o pagamento do atrasado depende de um reaviso, em caso de problemas financeiros, a primeira conta que fica para trás é a de luz. O gerente comercial da Celesc em Tubarão, responsável por outros dez municípios da região, Pedro Paulo de Souza, explica também que, conforme a legislação, não existe prazo a mais para a quitação de dívidas de energia elétrica.

Também não é obrigatório que a empresa aguarde determinado tempo para que o corte seja efetuado. “A partir do momento em que o cidadão recebe o reaviso, onde está impressa a data limite em que deve pagá-lo, temos o direito de efetuar o corte. Anteriormente, éramos muito maleáveis. O resultado é números expressivos e que poderiam ser empregados em melhorias na rede”, lamenta o gerente.

Com a nova ação no intuito de reduzir a inadimplência da região, Souza adianta também que a fiscalização ficará mais rígida. A idéia não é combater somente a inadimplência, mas também o furto de energia. “Entre setembro de 2007 e março deste ano, contabilizamos R$ 112.059,23 em perda por conta do furto de energia. Aplicamos, neste período, R$ 24.800,96 em multas”, informa Souza.