Zahyra Mattar
Tubarão

O assunto de maior enfoque ontem, quando ocorreu a transmissão de cargo do secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, de Ademir Matos (PMDB) para César Damiani (DEM), foi, sem dúvida, o impasse criado em torno da construção do novo prédio do Presídio Regional de Tubarão. Tanto o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), quanto o secretário de segurança pública do estado, Ronaldo Benedet (PMDB), foram bombardeados com as mesmas perguntas: “Diante da negativa insistente do município em indicar um terreno ou continuar as negociações com a Tractebel Energia, para desapropriar a terra já avaliada pelo estado, como será resolvida a questão? O estado vai fazer a obra?”.

“Vamos nos reunir” e “sim, assumiremos a obra, inclusive a desapropriação do terreno”, são as respostas, respectivamente. A situação não é complicada, está sendo complicada. E dos dois lados que devem dar ‘jeito na coisa’. Correto: segurança pública é questão de estado. O próprio secretário Ronaldo Benedet afirma isto. Porém, a obra fica em um município e não custa tanto ajudar a escolher uma área (na verdade, o custo será político e ninguém quer se indispor em ano eleitoral).

Na prefeitura de Tubarão, não há a mínima chance de voltar às negociações. “Se na casa dele (Criciúma, de onde vem o secretário Ronaldo Benedet), ele deu jeito, que faça o mesmo em Tubarão. Já afirmei e reafirmei minha posição e não vou voltar atrás”, insiste o prefeito Carlos Stüpp. Benedet, porém, garante que não há “um não oficial”. Quer agendar uma reunião com o prefeito e ‘intimou’ o recém-empossado secretário de desenvolvimento regional, César Damiani (DEM), a começar a alinhavar algo neste sentido já a partir da próxima semana.

Mas, Stüpp: “Eu já mandei um ofício para ele (Benedet), para o judiciário e para o Ademir (Matos, na época ainda à frente da SDR). Ele sabe disso”, retalha o prefeito. E Benedet: “O problema é que a discussão é feita pela imprensa e ninguém fala nada de oficial. Na verdade, tudo isso não passa de politicagem. Esta obra poderia estar pronta. É extremamente necessária. Mas não vou comprar um terreno e correr o risco da câmara não aprovar. Em Criciúma, agüentei o rojão. Construí a penitenciária e assumi o risco de embargar minha própria candidatura”, rebate.