Moradores tentam salvar o que podem. Não há ainda um levantamento de quantas casas e pessoas foram afetadas com a chuva.
Moradores tentam salvar o que podem. Não há ainda um levantamento de quantas casas e pessoas foram afetadas com a chuva.

Zahyra Mattar
Orleans

Mesmo com todo o esforço, a prefeitura de Orleans ainda não conseguiu atender a todas as famílias afetadas pela enxurrada na cidade. Para completar o quadro de desespero, ontem de madrugada voltou a chover forte na região.

Desta vez, as regiões do costão da serra, que abrange as comunidades de Brusque, Brusque do Sul, Três Barras e Chapadão foram as mais atingidas. A estimativa é que mais de 15 mil pessoas foram afetadas de alguma forma.
Os moradores têm medo e muitos deixaram suas casas, pois a previsão é de mais chuva para os próximos dias. Braço do Norte, Grão-Pará e Rio Fortuna também foram castigadas. Todas estas cidades já contabilizavam prejuízos milionários desde a última semana.

Nenhum destes municípios conseguiu, ainda, efetuar o levantamento dos estragos. Na terça-feira, por volta das 19 horas, o aposentado Osvaldo João da Silva, 82 anos, foi levado pela correnteza de um riacho na comunidade de Brusque do Sul. Ele tentava cruzar a passagem a pé.
Seus familiares procuraram por ele durante toda a noite. Seu corpo foi encontrado ontem, às 7 horas, a quilômetros de distância do local do incidente. A morte dele é a sétima em Santa Catarina em virtude das chuvas.

A prefeitura continua a trabalhar na abertura das estradas para poder socorrer famílias que continuam isoladas no interior do município, especialmente em Rio Pinheiros. Não há notícias destas pessoas, se têm água, energia, comida e abrigo. Os cálculos preliminares apontam um prejuízo superior a R$ 2 milhões.

Início das aulas deve ser adiado em Orleans

Por causa das fortes chuvas, a prefeitura de Orleans requereu a alteração no calendário da rede estadual de ensino. Pelo cronograma, a volta às aulas está marcada para a próxima segunda-feira. O município solicitou que a data seja remarcada para o próximo dia 14.

As estradas e pontes que restaram em pé estão em situação precária. Não há como transportar os alunos com segurança. Além disso, os prédios de algumas escolas também foram atingidos. Caso da instituição Hilsa Pedone, do bairro Rio Belo.

O local não tem condições de receber os alunos. Em muitas salas, não há mais meses e cadeiras, já que tudo ficou destruído pela água. A creche do bairro está na mesma situação.
As escolas das comunidade de Rio Pinheiros Baixo e Rio Pinheiros Alto também ficaram alagadas. Na rede municipal, as aulas já estão remarcadas para o dia 14.

Enxurradas voltam a atingir Grão-Pará

Karen Novochadlo
Grão-Pará

O município de Grão-Pará voltou a ser assolado por uma forte enxurrada terça-feira. A comunidade de Serra Furada foi uma das mais afetadas. Até ontem no fim da tarde, foram contabilizadas oito pontes caídas e 15 propriedades isoladas.

Cinco famílias moravam nas residências. “A comunidade parecia em estado de calamidade pública”, contou o prefeito Valdir Dacorégio (PMDB). Para visitar alguns dos afetados, foi necessário percorrer um trecho de seis quilômetros a pé. As casas ficaram sem energia elétrica. E árvores foram arrancadas.

Muitas estradas do município, principalmente na zona rural, foram destruídas. O Rio Túnel invadiu estradas em alguns pontos. Deslizamentos de terra também foram registrados. A SC-439, que liga a cidade a Urubici, ficou parcialmente interditada. O trânsito foi liberado no início da tarde.
A agricultura também foi afetada, mas ainda não é possível contabilizar os prejuízos. No centro, a água entrou em algumas casas. As obras devem iniciar hoje. Contudo, a limpeza de alguns trechos levará até 20 dias.

Grão-Pará já havia decretado situação de emergência no último dia 18. Os prejuízos, que na época somaram 1,7 milhão, serão recalculados. A Defesa Civil do estado liberou para o município R$ 50 mil. O vice-governador, Eduardo Pinho Moreira (PMDB), deverá programar uma visita à cidade.

Braço do Norte
As chuvas também atingiram o município de Braço do Norte ontem. Mas a Defesa Civil não precisou ser acionada. Contudo, os moradores próximos ao Rio Braço do Norte ficaram assustados com o volume crescente de água. O deputado estadual José Nei Ascari (DEM) deverá reunir-se com autoridades locais para debater a dragagem de um trecho de um quilômetro do rio. A cidade decretou situação de emergência no dia 22.