Zahyra Mattar
Tubarão

Os funcionários dos Correios podem entrar em greve novamente a partir de hoje. Ontem à noite, desde às 19h30min, uma assembléia ocorria em nível nacional para decidir se o movimento seria ou não deflagrado. Até o fechamento desta matéria, por volta das às 22h25min, não havia uma posição dos sindicalistas.
A categoria negocia com a empresa há cerca de 40 dias.

Os trabalhadores reivindicam um piso salarial de R$ 1.190,00 (hoje é R$ 603,00), participação nos lucros linear (atualmente, é em percentual e varia conforme o salário de cada servidor), aumento real de R$ 200,00 no salário, licença maternidade de seis meses, reintegração dos funcionários demitidos no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por realizarem greves e revisão das perdas salariais entre agosto de 1994 e julho deste ano (cerca de 47,31%).

Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de Santa Catarina (SintCom/SC), Evandro Cardoso, as negociações não avançaram, motivo pelo qual a maioria está disposta a paralisar. “O que nos oferecem é muito inferior àquilo que queremos e merecemos. Enquanto pedimos 47,31% de aumento, referente às perdas salariais desde 1994, a direção nacional oferece apenas 6,35%. Para o vale-alimentação, que é entregue em 23 dos 30 dias do mês, a proposta do sindicato é aumento de R$ 25,00. A empresa propõe R$ 1,50”, defende o diretor.

Evandro rechaça ainda que a greve só não ocorrerá caso o pacote de propostas que a empresa ofereceu na noite de ontem for satisfatório. “Se não houver avanço, vamos para a greve”, lamenta.
A última greve dos Correios ocorreu há 79 dias. Após 21 dias sem trabalhar, milhões de encomendas e cartas acumularam nas agências da empresa em todo o país.

Bancários: previsão é que as negociações sejam retomadas amanhã. Agências da rede privada pode voltar ao trabalho hoje
Os trabalhadores bancários da Amurel decidiram manter a greve por tempo indeterminado e permanecer de braços cruzados, após assembléia realizada na manhã de ontem, em Tubarão. Os funcionários da rede privada, no entanto, poderão retornar à função hoje, o que, para o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região, Armando Machado Filho, não desmantela o movimento na região.

“Esta possibilidade (da rede privada deixar a greve) existe, mas a ação continua forte em todas as cidades da base sindical. O mais importante é que esta paralisação mostrou como a categoria está unida. Há 18 anos, os funcionários da rede privada não participavam da greve na Amurel. A coragem deles é louvável e realmente fez a diferença”, elogia Armando.

Hoje pela manhã, uma nova assembléia será feita em Tubarão para avaliar o movimento e também confirmar, ou não, a volta ao trabalho da rede privada. Ontem, os bancos sinalizaram uma possibilidade de retomar as negociações com a categoria amanhã. “Teremos uma reunião às 10 horas e uma esperança enorme de que a proposta dos bancos seja, no mínimo, honrosa. Avaliaremos o que eles nos oferecerem na sexta-feira. É importante que os bancários estejam firmes e mantenham-se paralisados até lá”, convoca Armando.

Na base sindical de Tubarão, mais de 500 funcionários estão em greve desde a última quinta-feira. Todos os bancos, com exceção do Bradesco, estão parados. Na base territorial do sindicato de Laguna, outros 80 bancários, todos da rede pública, estão de braços cruzados também desde semana passada.
A categoria reivindica 16% de aumento salarial, maior participação nos lucros, revisão do plano de carreiras e salários, entre outras pautas que contemplam também cláusulas sociais, sindicais e de saúde.