Professores da rede municipal de ensino de Tubarão realizaram uma manifestação pública, ontem, no centro da cidade.
Professores da rede municipal de ensino de Tubarão realizaram uma manifestação pública, ontem, no centro da cidade.

Zahyra Mattar
Tubarão

Há mais de 20 anos, os profissionais da educação não realizavam uma manifestação tão forte e organizada como a vista ontem, em Florianópolis. Foi inédita também a decisão, a unanimidade, para a greve, já agendada para a próxima quarta-feira. Mais de oito mil profissionais ergueram a mão em favor da paralisação.

O encontro reuniu profissionais municipais e estaduais, já que a principal reivindicação da categoria, a aplicação do piso nacional de R$ 1.187,97, é bandeira de todos. Assim como nos municípios, o governo catarinense também remete à publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a aplicação do piso.
Como paliativo, o estado formulou uma proposta à comissão do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC): o piso nacional será pago a partir deste mês. Contudo, para alcançar este valor, o estado quer a inclusão dos abonos.

“Consideramos isso uma afronta e foi a gota d’água que faltava para que todos votassem pela greve. De amanhã (hoje) até a véspera da paralisação, na próxima quarta-feira, daremos aula de apenas 30 minutos para mobilizar as escolas. Viremos com força desta vez”, avisa a coordenadora estadual do Sinte/SC, Alvete Pasin Bedin.
Além do pagamento do piso, os professores defendem a não municipalização do ensino fundamental e o fim da terceirização no ensino público, entre outros pontos.

Alunos apóiam os professores
Enquanto mais de oito mil professores de todo o estado protestavam em Florianópolis, ontem, os alunos da Escola Monsenhor Bernardo Peters, de Treze de Maio, também trataram de protestar. Sensibilizados com a situação dos educadores, eles foram para frente da escola prestar apoio. As turmas do ensino médio do período matutino fizeram greve e não foram para a aula.

De acordo com os membros do grêmio estudantil da escola, que juntamente com o ensino médio encabeçaram esta manifestação, o movimento feito na escola é uma forma de chamar a atenção de toda a cidade para a importância dos profissionais da educação na formação do cidadão.
Os alunos aproveitaram também para reivindicar melhorias no prédio da escola. Há goteiras nas salas de aula, partes do forro está caindo na parte mais antiga do prédio, a fiação elétrica é deficiente e não há rampas para tornar a escola acessível a todos os cidadãos.

Professores de Tubarão manifestam-se
Em Tubarão, conforme texto publicado ontem no site da prefeitura (www.tubarao.sc.gov.br), a valorização do magistério é prioridade de governo. A rede municipal já recebe o salário mínimo da educação desde 2009. Contudo, o valor o piso ainda é bem pequeno: cerca de R$ 432,00 mensais (professores de nível 1). Para alcançar o mínimo de R$ 1.022,00, são incluídos os abonos.

Ontem, durante todo o dia, os professores municipais realizaram uma manifestação do centro da cidade (o protesto foi postado no portal www.notisul.com.br ainda na manhã de ontem). A categoria reivindica o pagamento do valor recomendando pelo Ministério da Educação: R$ 1.187,00.
“Quando se aposenta ou pega licença médica, o professor não recebe o abono, apenas o salário. E o valor pago em Tubarão é um dos mais baixos na região”, defende a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da Rede Municipal de Tubarão e Capivari de Baixo, Antônio Rodrigues da Rosa.

Esta, na verdade, é a grande discussão feita em nível nacional. Os professores querem receber o piso e mais os abonos. Os governos estadual e municipal querem pagar o piso com os abonos inclusos, o que, na prática, não confere aumento salarial real.
A partir de agora, a comissão responsável pela coordenação e adequação do Plano de Carreira e Remuneração do Magistério será reativada. O grupo irá reunir-se todos os dias e deve apresentar um parecer em breve.

A paralisação em números

Região de Tubarão
Das 43 escolas estaduais, em sete 50% dos professores (cerca de 269 dos 787 profissionais) paralisaram as atividades. Na rede municipal, 13 das 46 instituições de ensino pararam suas atividades ontem. A falta dos professores será descontada dos seus salários.

Região do Vale
Das 15 escolas estaduais, dez pararam as atividades completamente. Não foi repassado informações da rede municipal de ensino.

Região de Laguna
Tanto o município quanto a gerência de educação não repassaram dados.

No estado
Dos 39.174 professores da rede, 7.008 (cerca de 18%) pararam. Com isso, 189.872 alunos, de um total de 700 mil, ficaram sem aula ontem. O movimento ainda foi engrossado por mais 1.394 outros profissionais da educação (exemplo: diretores, assistentes pedagógicos, entre outros), que igualmente paralisaram as atividades crianças. Com isso, a quantidade de pessoas que cruzaram os braços foi de 8.402 em todo o estado.