Sangão

Os preparativos para celebrar o Dia de Nossa Senhora Aparecida, nesta quarta-feira, feriado nacional, mobilizam milhões de católicos em todo o país. Em Sangão, na Paróquia de Morro Grande, o padre Adelino de Souza Matildes tem motivos a mais para comemorar. A comunidade de Campo Bom, em Jaguaruna, na qual é responsável, está com uma extensa programação.

Para Adelino, há um motivo único para as festividades por parte dos católicos neste feriado. “Em termos de festa de Nossa Senhora, pelo fato de ser a padroeira do Brasil, é uma data que tem um significado todo especial. Ela tem tantos nomes, mas aqui no Brasil é Nossa Senhora Aparecida”, explica o padre.

Entre os exemplos de grande religiosidade popular na região, Adelino cita o monumento na Colina Nossa Senhora Aparecida, no bairro Urussanga Baixa, em Treze de Maio, que nesta data recebe entre 50 e 60 mil pessoas. Em todas as igrejas nesta quarta-feira, a própria celebração será diferenciada em relação às liturgias. Textos bíblicos e cantos farão referência à padroeira brasileira.

“Eu tinha muito medo, mas minha fé me ajudou”
Católica fervorosa, a dona de casa Maria Conceição Medeiros da Silva, 51 anos, a Mariazinha de Pescaria Brava, é um exemplo de fé. Em 2005, descobriu que tinha um câncer no intestino. Foi sua devoção a Nossa Senhora e o amor a seu filho que lhe encheram de esperança para suportar o tratamento. 

Neste Dia de Nossa Senhora Aparecida, a religiosa aproveitará para agradecer a cura, que ela atribui à fé.  “Naquela época estava dando uma virose. Eu comecei com uma diarreia. Fiquei com a barriga dolorida. Já fazia dez dias. Foi aí que procurei o médico, fiz alguns exames e a biópsia confirmou o câncer. Era 21 de dezembro de 2005, perto do Natal”, recorda.

O tratamento iniciou em Florianópolis. Informada pelo médico de que a cirurgia iria demorar pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela levantou o dinheiro com a ajuda da comunidade na qual frequenta e o apoio de amigos e familiares: mais de R$ 10 mil. “Eu não tinha nada de dinheiro. Os amigos do meu marido fizeram um bingão, juntamos aqui e ali e Deus providenciou tudo e consegui pagar”, avalia.

Assim que concluiu a cirurgia, por precaução, o médico ainda recomendou sessões de quimioterapia. Ela teve medo. Novamente a fé falou mais alto. “Me agarrei com Deus e eu disse: ‘não vou passar mal, não vou morrer por isso’. Até hoje vou lá, faço os exames e não consta nada”, comemora.