Zahyra Mattar
Tubarão

Alguns consumidores já sentiram o aumento do preço do etanol no bolso. O combustível está R$ 0,20 mais caro nos postos. A gasolina também deverá ter o valor do litro reajustado nos próximos dias – ainda que já seja vendido até R$ 0,07 mais caro desde a semana passada.

Conforme a previsão do delegado do Sindicato do Comércio Varejista de Combustível da Região, Valdo Viana Filho, o aumento da gasolina também deverá ficar na casa dos R$ 0,20. “Isto só não foi confirmado porque precisamos esperar qual será o percentual que as distribuidoras repassarão. Mas acredito que ficará o mesmo do etanol”, estima Valdo.

Na região, o preço médio do litro do etanol era de R$ 1,79. Agora, o consumidor já começa a desembolsar, em média, R$ 1,99 pela mesma quantidade. Quanto à gasolina, se o reajuste for o mesmo, o litro passará dos atuais R$ 2,72 para R$ 2,92, em média.

A alta do etanol está ligada ao aumento do açúcar, que subiu cerca de R$ 0,30 nas prateleiras dos supermercados. O da gasolina é reflexo do reajuste do piso dos frentistas (passarão a ganhar 28% a mais – cerca de R$ 1 mil) e também pela escassez do etanol nesta época do ano.
“Além disso, a gasolina leva uma mistura de 25% de álcool anidro em sua composição. Quando um sobe, o outro também é automaticamente reajustado”, lembra o delegado.

Etanol deixa de ser vantajoso
Apesar de ser mais barato do que a gasolina, o etanol tem consumo maior. Encher o tanque com álcool só é vantajoso se o combustível custar até 70% do preço da gasolina. Entre 70% e 71%, a escolha é indiferente.

Entressafra deve elevar ainda mais os valores

O aumento escalonado do etanol – que agora culminou em um montante de R$ 0,20, já repassado aos consumidores – reflete a falta do combustível, que só irá piorar para os próximos meses. Os usineiros já trabalham com a previsão de que o produto faltará no verão.

A projeção do Sindicato de Revendedores Varejistas de Combustíveis da Grande Florianópolis (Sindicomb) é que devem faltar dois bilhões de litros no mercado nacional entre novembro deste ano e fevereiro de 2011. A seca no maior estado produtor de cana – São Paulo -, consequentemente a baixa produtividade, e os preços atrativos do açúcar no mercado externo puxarão o aumento do etanol nos próximos meses.