Cássio e Luiz Fernando buscaram nas características da região uma solução para gerar economia aos cofres públicos na iluminação da ponte estaiada  -  Foto:Divulgação/Notisul
Cássio e Luiz Fernando buscaram nas características da região uma solução para gerar economia aos cofres públicos na iluminação da ponte estaiada - Foto:Divulgação/Notisul

Silvana Lucas
Tubarão

Os acadêmicos do curso de engenharia civil, Cássio Oliveira de Souza e Luiz Fernando da Silva Meneghel, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), de Tubarão, apresentaram recentemente um trabalho de conclusão de curso voltado a resolver um problema do município de Laguna, com retorno financeiro significativo à Cidade Juliana em no máximo oito anos.

A proposta da monografia é solucionar os gastos com a conta de iluminação da Ponte Anita Garibaldi, localizada no Canal de Laranjeiras, com a utilização do vento como fonte geradora de energia para suprir as necessidades da estrutura. “Nossa pesquisa iniciou justamente quando a ponte era finalizada (em junho), mas faltava ser definido quem pagaria os custos mensais da iluminação. Diante deste questionamento e dos impasses divulgados entre o poder público do município e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), buscamos uma solução econômica e viável”, explicou Luiz Fernando.

Os estudantes buscaram informações em referências bibliográficas, em projetos eólicos direcionados ao litoral catarinense, em empresas de distribuição de energia e nas orientações, focados em encontrar viabilidade para a implantação de um aerogerador em Laguna.

“Com base nas informações levantadas, conseguimos fazer uma comparação entre os custos de implantação de uma turbina eólica e o consumo de energia da ponte, durante um ano. O resultado ficou com o retorno dos investimentos em oito anos. A produção excedente de energia retorna para a prefeitura em créditos mensais, em mais ou menos R$ 17 mil, para serem aplicados em qualquer edificação pública”, explica Cássio.

Energia renovável
A dupla ainda apresentou nas mais de 70 páginas, unir o potencial eólico do município, já definido em vários projetos ambientais com problemas reais, sem que para isto o meio ambiente precise ser sacrificado. “Toda questão ainda é muito complexa e precisaria de mais tempo para conseguir juntar informações para uma implantação imediata. Nossa proposta de oferecer uma solução que retorne para os moradores em benefícios, acreditamos que foi cumprida. Estamos a disposição para outros estudos que possam acrescentar ao projeto”, finalizam os acadêmicos.

Ninguém pagou a conta
Em setembro a indefinição sobre o pagamento da conta de energia teve uma determinação. A Justiça Federal decidiu que a prefeitura é a responsável pelos custos. A determinação foi do juiz Timóteo Rafael Piangers, da Justiça Federal da Cidade Juliana. A conta, de cerca de R$ 12 mil por mês, é um impasse entre a administração municipal e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) antes mesmo da entrega da obra. Há quatro meses inaugurada, a conta da iluminação está na justiça e até hoje nenhuma fatura foi paga.

A obra de iluminação
Com um investimento de R$ 3,3 milhões, o projeto de iluminação contemplou as pistas de rolamento, com previstos postes metálicos e luminárias de tecnologia led de alto rendimento e consumo reduzido. O sistema permite maior eficiência energética e economia. Além da iluminação das pistas, há luminárias especiais no trecho estaiado da ponte, com iluminação decorativa nas torres de sustentação e estais. Canhões dão efeitos e cores às estruturas. O consórcio Sadenco e Quantum foi o responsável pela obra.