O bancário aposentado Ronaldo Delpizzo atua como voluntário há mais de cinco anos, junto com a esposa, Elízia Delpizzo.
O bancário aposentado Ronaldo Delpizzo atua como voluntário há mais de cinco anos, junto com a esposa, Elízia Delpizzo.

Zahyra Mattar
Tubarão

Tenham os dias do ano sido bons ou ruins, o Natal não espera. Logo é dia 25 de dezembro e a árvore no meio da sala fica tomada de presentes. Crianças correm de um lado para o outro eufóricas, com roupas novinhas. O que será que Papai Noel trouxe para mim? Mas o Natal não é apenas consumo. É um momento de renovação. Precisamos aprender a falar de paz, mas também promovê-la. Falar de amor ao próximo, mas cultivá-lo. Compreender, porém, ser tolerante. Partilhar e compartilhar. Banir o egoísmo.

Será que o Natal tornou-se apenas a data preferida da troca de presentes e da comilança? Perdemos o seu verdadeiro significado? Não. Nada disso. Apenas esquecemos de redimensionar este tal significado para nós mesmos e o próximo. A mensagem de Cristo, para o qual o Natal é remetido, foi clara e extremamente simples: “Ama teu próximo e promove a igualdade entre os homens”. E quem sabe não existe nenhum outro ser que expresse tão bem este valioso ensinamento que os voluntários.

Eles estão em abrigos, asilos, creches, hospitais, nas ruas, em empresas. Pode ser seu vizinho. São anônimos – e a grande maioria até prefere assim – que fazem o bem sem olhar a quem. Isto, assim como o verdadeiro espírito natalino, deve ser permanente, deve ser promovido e incentivado o ano inteiro. Os sentimentos de amor ao próximo e de solidariedade que crescem no Natal devem ser uma atitude permanente, e não uma festa com hora e dia marcados.

Voluntários do desprendimento

Nas cidades, muitos desconhecidos contribuem para o crescimento de muitos outros desconhecidos, e não somente em época de Natal. No albergue espírita Pousada da Paz, em Tubarão, voluntários disponibilizam parte do seu tempo para cozinhar e levar uma palavra de conforto a quem passa por ali. A entidade recebe andarilhos, moradores de rua e pessoas de outras cidades que vêm a Tubarão em busca de oportunidade.

Desde 1996, o local atendeu 42.648 mil pessoas. Somente no mês passado, 196 cidadãos procuraram ajuda na entidade. Há 13 anos, o policial militar Rogério Rossetti, 45 anos, trabalha na segurança do albergue. Ele foi disponibilizado para o trabalho pela própria PM. “Nem sabia direito o que realmente era o lugar, mas resolvi aceitar. Hoje, não troco meu trabalho por nada. Já passei por muitos momentos tristes, mas muitos compensadores também”, descreve Rogério.
O bancário aposentado Ronaldo Delpizzo, 56 anos, e a esposa Maria Elízia Barbosa Delpizzo, 56, atuam como voluntários no albergue há cinco anos. Ele não esquece do dia em que atendeu um senhor tubaronense que havia retornado de Porto Alegre, após a morte da esposa.

“Quando chegou, descobriu que a casa havia sido destruída pelo fogo. Ele veio aqui pedir ajuda aos prantos. Essa história me marcou muito, mas fico feliz em saber que posso levar uma palavra de conforto e dar um pouco de alimento a essas pessoas”, valoriza Ronaldo.

A doação em tempo integral

Carolina Carradore
Capivari de Baixo

Dedicar-se a um trabalho voluntário não significa apenas dispensar um ‘pedaço’ de tempo, e sim fazer algo pelo próximo. Significa também doar conhecimento, energia e, principalmente, amor. Em Capivari de Baixo, o Palhaço Saúde ganha vida nas mãos da funcionária pública da prefeitura Paulina Antunes Ferreira, 49 anos.
Vestida a caráter, Paulina arranca risos e alegria de crianças de escolas e entidades da região, em apresentações artísticas feitas por fantoches confeccionados por ela. Hoje, Paulina leva esta alegria por meio de mais de quatro mil bonecos de pano.

Tudo é feito com recursos dela mesma e de alguns amigos e membros da comunidade que incentivam o trabalho de Paulina. “Não escolho lugar. Onde me chamarem vou”, diz Paulina, empolgada.
E está enganado quem pensa que a voluntária passa horas ensaiando. Paulina improvisa as mais hilariantes histórias, geralmente ligadas à saúde, e arranca gargalhadas de crianças e adultos.