Zahyra Mattar
Tubarão

O domingo foi mais longo que o normal. Pelo menos para a justiça eleitoral. Desde a madrugada, juízes e promotores já tinham trabalho. Denúncias caluniosas, agressões, compra de votos com dinheiro e cesta básica e até prisões deram o tom destas eleições municipais na Amurel.

Em Tubarão, houve a maior movimentação. Os juízes Luiz Fernando Boller, da 33ª zona eleitoral, e Edir Josias Silveira Beck, na 99ª, literalmente tiveram que apartar brigas e “solucionar” situações esdrúchulas e caluniosas contra candidatos, especialmente ao cargo de vereador. A maioria não foi confirmada. Mas, pela boca do povo, corria até mesmo que alguns candidatos haviam sido presos por conta de compra de votos com cestas básicas.

Além disso, duas pessoas foram detidas em Tubarão e tiveram que assinar um termo circunstanciado por fazer boca-de-urna: uma mulher foi flagrada distribuindo santinhos. Outro foi visto entregando cesta básica. Em Braço do Norte, também houve um caso de compra de voto. O valor: R$ 50,00.
As agressões físicas mancharam um pouco o momento mais democrático do país. Em Tubarão, Sangão, Jaguaruna e Laguna, houve muito bate-boca, tapas e socos entre correligionários.

Retrans levará até quatro dias para limpar toda a cidade
Quarenta profissionais da Retrans, empresa responsável pela limpeza pública em Tubarão, começaram a trabalhar às 5h30min de ontem para garantir o cumprimento de uma determinação feita pelo juiz da 33ª zona eleitoral, Luiz Fernando Boller: “Fica expressamente proibido o despejo de santinhos ou de qualquer outro material empregado na propaganda eleitoral nas ruas, praças e terrenos das cidades de abrangência da 33ª zona eleitoral, inclusive nos dias anteriores ao pleito”.

A sugestão do juiz visa cumprir o disposto no artigo 13, inciso VII, da Lei nº 4.737/1965 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo texto não tolera a propaganda que “prejudique a higiene e estética urbana ou se contraponha às posturas municipais”. Assim como o lixo, placas de alguns candidatos também amanheceram pichadas e vandalizadas com palavras e desenhos de baixo calão.

Bem que se tentou. Mas a quantidade de ‘santinhos’ jogado nas ruas próximas aos locais de votação eram mais do que as vassouras disponibilizadas para remover o material. “A prioridade foi limpar as ruas próximas às escolas. Mas a chuva e o vento pioraram o trabalho e a situação de alguns locais onde o lixo fica acumulado”, lamenta o diretor da Retrans, Eder Marcon. A previsão dele é que a empresa leve entre três e quatro dias para limpar por completo a cidade.

A 99ª zona eleitoral – que abrange os municípios de Capivari de Baixo, São Martinho, Armazém, Gravatal e a margem esquerda de Tubarão – não expediu nenhum pedido neste sentido.
A determinação de Boller valeu para todos os municípios de abrangência da 33ª zona eleitoral: Pedras Grandes, Sangão, Jaguaruna, Treze de Maio e a margem direita de Tubarão.

Duas pessoas morrem em seções eleitorais
Dois homens morreram em seções eleitorais em Santa Catarina. Em Morro da Fumaça, no sul do estado, Florindo Carrer, 77 anos, teve um mal súbito no momento em que votaria. Ele chegou a assinar o documento antes de ir à urna, mas morreu. No meio-oeste, José Solon Schfter, 79, sofreu um infarto enquanto subia as escadas do Colégio Frei Caneca, em Lebon Régis, onde registraria o seu voto.

A manhã eleitoral no estado também foi marcada por prisões, falta de energia elétrica e urnas com problemas. No planalto serrano, as cidades de Painel e Urupema ficaram duas horas e meia sem energia. Em Florianópolis, a Lagoa da Conceição teve o abastecimento cortado depois que uma árvore atingiu fios de alta tensão. Em nenhum dos locais, a votação precisou ser interrompida. Até as 15 horas de ontem, 118 urnas já haviam sido trocadas. Mesmo assim, não foi necessário usar a votação manual.

Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1.898 urnas do país, 0,51% do total, precisaram ser substituídas. O Rio Grande do Sul foi o estado com o menor índice de problemas: apenas duas urnas foram substituídas.

O maior número de trocas de urnas eletrônicas ocorreu no Rio de Janeiro (303), seguido de São Paulo (246), Minas Gerais (221) e Bahia (149). Proporcionalmente, a maior incidência de problemas foi no Amapá, onde 1,26% das urnas foram trocadas.

Em cinco seções, as urnas eletrônicas foram trocadas por cédulas de papel: São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP), Mari (PB), Cajari (MA) e Batalha (PI). Em Santa Catarina, 11 urnas foram substituídas. Três foram na 99ª zona eleitoral, em Tubarão.