Carolina Carradore
Tubarão

Por um longo tempo, crianças e adolescentes em situação de risco de Tubarão, que precisavam ser retiradas de seus lares, eram colocadas no abrigo no Consórcio Intermunicipal de Amparo a Crianças e Adolescentes (Ciaca), em Braço do Norte. O convênio com a cidade nem precisou ser renovado, uma vez que ainda este mês Tubarão passará a ter o seu próprio abrigo.

A secretaria de assistência social finaliza o processo seletivo dos profissionais que atuarão no projeto, intitulado Bem Viver. Contratos feitos, o próximo passo será inaugurar a casa para abrigar crianças e adolescentes abandonadas, em casos de destituição de poder familiar, negligência familiar e violação dos direitos fundamentais. Todas as crianças receberão atendimento no Bem Viver após determinação judicial. “A meta é só colocarmos as crianças no abrigo em último caso, pois também temos o programa “Família Acolhedora, onde poderemos deixá-las”, adianta a secretária de assistência social, Vera Stüpp.

O programa de acolhimento institucional Bem Viver terá 20 vagas, entre crianças e adolescentes de zero a 17 anos e 11 meses. Com estrutura adequada e berçário, monitores trabalharão no local 24 horas, além da assistência de nutricionista, vigia e motorista, atendimento psicológico, médico e odontológico.

Lar temporário
Vale lembrar que não podem participar do projeto pessoas que estão na fila de adoção. Caso a criança ou o adolescente que está em um lar temporário, por decisão judicial, esteja apta a adoção, fica à disposição da fila de adotantes. “Tem que ficar claro que a família ficará com a criança por um tempo, mas não é adoção. É um ato de amor, até que a justiça resolva o destino da criança”, destaca o promotor da vara da infância e juventude, Osvaldo Sioffi Júnior.

Projeto Família Acolhedora: sobram crianças, faltam famílias

O programa Família Acolhedora, implantado em Tubarão em 2008, veio como um ato de amor e solidaridade às crianças e adolescentes que precisam ser retiradas da família de origem por tempo inderteminado. Uma forma de evitar que essas crianças sejam colocas em abrigos até a decisão judicial. Apesar da importância do projeto, falta interesse de pessoas que queiram acolher essas crianças.

Segundo o promotor da vara da infância e juventude, Osvaldo Sioffi Júnior, apenas duas famílias tiveram o cadastro aceito. “Percebemos que em Tubarão a demanda de crianças que precisam ser retiradas de seus lares é grande, mas a ausência das famílias no programa prejudica o trabalho”, lamenta.
Implantado no Brasil em 1991, o programa pode gerar dúvidas em quem esteja interessado. Como uma criança pode ser acolhida por uma família e não se apegar a ela? Ambos irão saber lidar com o momento da separação? Como será a volta para casa?

A prática tem demonstrado que todas essas questões podem ser contornadas. Segundo o promotor, a família acolhedora é capacitada por uma equipe treinada para participar de forma consciente do programa. Tanto a família quanto a criança recebem também acompanhamento psicológico e visita de assistentes sociais da prefeitura. “É feita uma preparação para que a criança saiba que pode voltar ao lar de origem ou ir para adoção”, esclarece.