Karen Novochadlo
Tubarão

À meia-noite deste sábado, inicia o horário de verão. Para o país, representa economia de energia. Em Santa Catarina, no último verão, os dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicaram a redução de 4,4% na demanda e 0,5% na energia na área de concessão da Celesc. A expectativa é que a demanda diminua este ano em 5%.

O horário de verão favorece a economia de energia elétrica nos períodos de pico, principalmente entre 18h30min e 19 horas. “Tubarão é uma cidade de comércio e não tem grandes indústrias, as residências consomem muita energia. Com o horário especial, as pessoas não acendem as luzes quando chegam em casa e a iluminação pública não precisa funcionar cedo”, explica o gerente regional da Celesc, Gerson Bittencourt.

No verão passado, em Tubarão, o horário de verão foi importante para impedir um colapso no sistema de distribuição de energia. A subestação de Humaitá de Cima não estava preparada para a alta demanda, e foi preciso trazer transformadores móveis. Para 2010, a Celesc já se preveniu e aumentou a capacidade para 78 megawatts. O calor também prejudica o funcionamento dos equipamentos.

O consumo aumentou devido ao uso constante de ar-condicionados, ventiladores e climatizadores. A Celesc registrou picos de alta de energia às 14h30min e às 15 horas. Gerson acredita que medidas simples como a instalação de cortina de vento e portas automáticas nas lojas podem reduzir o gasto.

Economia
O horário de verão irá gerar uma redução média de 0,5% no consumo total de energia do país. Isto equivale à energia consumida por uma cidade de 3,8 milhões de habitantes e de 1,1 milhão de habitantes, respectivamente. No Brasil, o horário de verão é adotado anualmente desde 1985 e é válido apenas às regiões centro-oeste, sul e sudeste.

Medidas simples economizam energia

O horário de verão existe para reduzir a demanda de eletricidade em períodos de pico, que pode acarretar problemas sérios no sistema elétrico. Mas a economia de energia deve ser realizada sempre.
Para a aposentada Thereza Fonseca, a economia de eletricidade não é exclusividade do horário de verão. Aliás, o valor da fatura dela não reduz significativamente no novo horário.

Há dois anos, a conta de luz chegava a R$ 200,00 por mês. Seguindo orientações da concessionária de energia, ela e o neto realizaram algumas mudanças na casa. Em dois meses, a fatura desceu para R$ 76,00. Hoje, paga R$ 46,00 mensais.
Thereza explica como conseguiu a redução no consumo de eletricidade. “Troquei a geladeira e o freezer pelos modelos que consomem menos”, relata. A aposentada gastou com os investimentos, contudo, foi recompensada pelo valor menor da fatura.
O gerente regional da Celesc, Gerson Bittencourt, ensina que os consumidores devem procurar comprar eletrodomésticos com o selo da Procel, que tenham a letra “A”.

“Orientamos também os consumidores a abrirem menos a geladeira, reduzirem a potência do chuveiro, desligarem eletrônicos que não estejam sendo utilizados”, indica Gerson. O chuveiro é responsável por 40% do consumo de energia de uma casa.
Outra medida que Thereza tomou foi apagar as luzes dos cômodos não ocupados. Também trocou as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, que gastam 70% menos.

Vendas de ar-condicionado devem aumentar

O comércio está com boas expectativas para a venda de ventiladores, ar-condicionados e climatizadores neste verão. O gestor administrativo da loja Magazine Luiza de Tubarão, José Robson da Silva, estima que as vendas aumentem em 25 % em relação ao ano passado.
Para este ano, os aparelhos de ar-condicionado sofreram uma redução no preço 20%. No ano passado, a procura aumentou quando diminuiu o preço em 30%.

No último verão, a Magazine Luiza vendeu mais de 350 ar-condicionados em Tubarão. A procura foi tanta que o comércio de Tubarão e região não tinha mais peças em estoque. As fábricas não esperavam uma demanda tão grande. “Muitos clientes compravam e esperavam até 20 dias pela mercadoria”, lembra o gestor. Em janeiro, mais de mil ventiladores foram adquiridos só na Magazine.
Mas os consumidores ainda não mudaram alguns hábitos. O gestor conta que a compra por produtos é motivada pelo preço. “Os consumidores não têm o hábito de comprar o que gaste menos energia”, afirma José.

Câmara pode extinguir o horário diferenciado

Tramitam em caráter conclusivo na câmara federal três propostas que acabam com o horário de verão no Brasil. Autor de uma das propostas para acabar com o horário de verão, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) afirma que não foi constatada nenhuma vantagem técnica na mudança de horário.

Segundo ele, a energia produzida neste período que não é consumida simplesmente se perde. “Não há relatos de que a fatura de energia fica mais barata neste período. Ao contrário, as pessoas acordam ainda no escuro e começam a consumir energia mais cedo”, argumenta.
Colatto aponta, também, que a alteração do horário traz uma série de prejuízos ao metabolismo do corpo humano e às atividades de quem vive no campo.