Zahyra Mattar
Tubarão

Em novembro do ano passado, a agência regional da Celesc em Tubarão declarou guerra à inadimplência. Desde então, cerca de 300 famílias, por dia, têm a energia elétrica cortada por ter, pelo menos, duas faturas atrasadas. Na gerência em Tubarão, o valor gerado pela inadimplência era de R$ 221.904,33, até dia 11 de novembro de 2008 (cerca de 1.981 clientes aptos ao corte).

Após um mutirão feito pela estatal para colocar as finanças em dia, a quantidade de consumidores com débito caiu para 1.059, ou seja, o valor do prejuízo reduziu para R$ 96.436,53 até o dia 16 de dezembro do ano passado. “Com aquela chuvarada do fim do ano e os feriados, fechamos 2008 no vermelho: 1.708 clientes e um rombo de R$ 364.148,18”, lamenta o gerente comercial da Celesc em Tubarão, Pedro Paulo de Souza.

Mesmo com o mutirão, a regional não atingiu a meta fixada pela central (estagnar a inadimplência em 3,32%). Fechou 2008 com índice maior, de 4,51% de consumidores devedores. A agência assiste a 135 mil pessoas em Tubarão, Imbituba, Laguna, Imaruí, Sangão, Jaguaruna, Orleans, Lauro Müller, Pedras Grandes e Garopaba. Diante dos números, a divisão comercial da Celesc no município, designou uma comissão de gestão do processo de inadimplência. O objetivo é implementar todas as ações necessárias para, de uma forma sistemática, fazer com que os índices dessa regional tornem-se compatíveis com o contrato de resultados da estatal.

Uma das medidas já em andamento é a política de suspensão de fornecimento de energia elétrica a todos os clientes em débito com a empresa. “Além dos 300 cortes diários, também deixamos de conceder prazos após o vencimento do reaviso. Ficar sem energia é um transtorno grande para o cidadão, mas a Celesc é uma empresa como outra qualquer e precisa combater a inadimplência. Além disso, estas ações, ainda que impopulares, prestigiam o consumidor que paga sua conta em dia”, valoriza Pedro Paulo.

Milhões
Os consumidores que não pagam as suas contas de luz geram mais de R$ 5 bilhões de prejuízo às distribuidoras, por ano. Em Santa Catarina, na Celesc, o valor é de R$ 1 bilhão por ano. Metade deste montante (R$ 500 milhões) refere-se apenas aos consumidores residenciais, comerciais e industriais que não pagam as faturas.