Carolina Carradore
Tubarão

A jogada política entre PMDB e DEM pegou todos de surpresa, inclusive o próprio governador do estado, Leonel Pavan (PSDB). Ele declarou que não é a favor do acordo anunciado ontem entre os dois partidos, que resultou na escolha do democrata Raimundo Colombo para ser candidato a governador de Santa Catarina. “Quando o PSDB propôs a ele (Eduardo Moreira) ser vice, disse que o PMDB nunca aceitaria, que só poderia ser piada. Agora quem vai decidir é o meu partido”, disse Pavan ontem, ao Notisul.

Assim, a tão sonhada reedição da tríplice aliança pode ir por água abaixo. A frustração de Pavan é notória e o governador ainda não definiu se, de fato, a vaga no senado, aberta ao PSDB, será ocupada por ele. Por sua vez, o tucano Paulo Bauer garante a sua candidatura ao senado, assim como o ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). “Pavan terá uma missão maior dentro da composição”, declarou Bauer, ontem, em Gravatal, enquanto participava do velório de Artemísia Bez, mãe do deputado Edinho Bez (PMDB).

LHS, que também prestou homenagem à mãe de Edinho, está satisfeito com o acordo e disse que volta a apostar na “eleição de morro abaixo”, com vantagem de mais de um milhão de votos para o candidato a presidente José Serra (PSDB) em Santa Catarina.

Suplente
O ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) confirmou ontem oficialmente que o ex-deputado César Souza (DEM) deverá concorrer como seu suplente ao senado.

PP ainda sem definição

A desistência de Eduardo Moreira como cabeça-de-chapa movimentou o cenário político catarinense. O PP estreita relações com o PDT e PT. Amanhã, o presidente estadual da sigla, Joares Ponticelli, conversa com representantes do PDT e, no dia seguinte, um encontro deve definir a coligação com o partido dos trabalhadores.

O acordo entre PMDB e DEM foi visto com bons olhos por Ponticelli, pois a tríplice aliança representa a continuidade do atual modelo de administração. “Estamos um em cada margem do rio. Vamos lutar para a mudança no estado e eles para deixar as coisas como estão”, disse.

Expectativa

Por enquanto, uma coisa é certa: a dupla aliança já está confirmada entre PMDB e DEM. Ontem à ontem, a executiva do PSDB realizou uma reunião ordinária na sede do partido, em Florianópolis. Até as 22 horas, a reunião ainda seguia e tucanos discutiam qual seria o destino do partido nas eleições.

Mais calmo, Pavan voltou atrás e disse que tem interesse em recompor a tríplice aliança e oferecer palanque presidencial único ao tucano José Serra. Mas ainda não está descartada uma coligação com o PP ou o próprio PSDB lançar candidatura própria, com chapa pura.