Zahyra Mattar
Tubarão

Ontem, o deputado estadual Genésio Goulart (PMDB) retomou os seus trabalhos na assembléia legislativa. Segundo colocado na eleição para prefeito de Tubarão, ele era procurado por muitos veículos de comunicação e amigos desde a noite de domingo. Recusava-se a falar sobre o resultado do pleito. A disputa entre Genésio e Manoel Bertoncini (PSDB) não foi das mais amigáveis. Por outro lado, não poderia ser diferente. PSDB e PMDB, em Tubarão, têm histórica rivalidade.
Para o deputado, venceu a coligação mais forte.

“A primeira análise que faço é esta (da coligação). Eles tinham mais candidatos que nós (54 pessoas concorreram como vereadores pelo ‘lado’ de Manoel e aproximadamente 30 pela coligação de Genésio). Além disso, ele (Bertoncini) recebeu o apoio da atual administração. Era o candidato da atual administração. A segunda análise é a questão do partido. Houve problemas internos que refletiram na campanha. De qualquer forma, aceito o resultado das urnas”, avalia Genésio.

As estratégias utilizadas durante a campanha também são apontadas como falhas. “(Uma campanha) é feita de erros e acertos. Agora, é possível ver onde estavam estes erros”, pontua. Por outro lado, o deputado diz que não se considera um perdedor. Pelo contrário, está feliz com a consolidação de sua pessoa em relação aos eleitores.

Em 2002, Genésio elegeu-se deputado com 16.604 votos em Tubarão. Em 2006, também assumiu uma vaga na assembléia, com 16.954 votos dos tubaronenses. “Agora, em 2008, obtive 17.331 votos. Isto cristaliza meu eleitorado, meu índice de votação. Uma linha crescente que se repete há três pleitos consecutivos. É 30% do eleitorado da cidade. Outro ponto positivo é a câmara de vereadores. Tínhamos três representantes. Agora são quatro”, compara.

Partido fará uma reunião para discutir o resultado
A questão política interna do PMDB será analisada em uma reunião ainda a ser marcada nos próximos dias, com o deputado federal Edson Bez de Oliveira. “Obviamente, algumas questões dentro da sigla precisam ser revistas. Precisamos discutir, analisar com profundidade o que deu certo e o que deu errado. No mais, desejo uma ótima administração para (Manoel) Bertoncini. Estarei à disposição dele para lutar pela cidade na assembléia”, anuncia o deputado estadual Genésio Goulart.

O segundo colocado nas eleições municipais de Tubarão este ano cumprirá, também nos próximos dias, um roteiro de visitas na região a fim de retomar definitivamente os seus trabalhos na assembléia. “Dediquei-me integralmente à campanha. Tenho coisas para colocar em dia”, resume. Sobre as eleições de 2010? Este ponto, ele desconversa. “São dois anos até lá. É muito cedo para qualquer declaração”, corta.

Presidentes de partidos analisam o resultado das eleições no estado

Amanda Menger
Tubarão

O resultado das eleições municipais alterou o cenário político da região. E podem ocorrer novas mudanças, isso porque três dos prefeitos eleitos tiveram os votos considerados nulos, por responderem a processos de registros de candidaturas. Em um balanço preliminar, o PMDB conquistou oito municípios. O PP, quatro. Democratas e PSDB, três prefeitos cada, e o PT uma prefeitura.

O presidente estadual do PMDB, Eduardo Pinho Moreira, está satisfeito com o resultado. “O PMDB foi o partido que mais cresceu. Conquistamos 111 prefeituras, mais que o dobro do segundo lugar. Isso fortalece o partido. Agora, vamos trabalhar pela reeleição de Dário Berger, em Florianópolis”, adianta Moreira.

O partido não conseguiu eleger os prefeitos das duas maiores cidades do sul catarinense, Tubarão e Criciúma. “Cometemos erros estratégicos. Mas, como diria Ulysses Guimarães, o PMDB só é derrotado pelo próprio PMDB. Nas duas cidades, o desentendimento interno foi um dos problemas”, avalia. Mesmo sem o apoio dos prefeitos destas duas cidades, Eduardo vê o partido forte para 2010. “O sul tem que se unir pelo bairrismo, para elegermos um governador da região”, pontua.

Já o PP, perdeu espaço com o resultado das eleições, de 11 para quatro. O presidente estadual da sigla, Joares Ponticelli, não vê prejuízos políticos. “Perdemos algumas prefeituras, mas reconquistamos outras. Além disso, temos uma parceria de sucesso com o PSDB, aqui em Tubarão, em Criciúma e em Araranguá. Estamos também na disputa do 2º turno em Florianópolis e Joinville”, avalia.
Ponticelli afirma que a tríplice aliança (PMDB, DEM e PSDB) acabou. “O resultado das urnas acabou com esta aliança. Temos encaminhamentos de que o PSDB e o Democratas poderão ser nossos parceiros em 2010, assim como o PT”, revela.