Amanda Menger
Sangão

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pode solicitar nos próximos dias a abertura de inquérito policial para investigar denúncias de compra de votos em Sangão. Uma agenda foi apreendida nesta semana, no diretório municipal do PSDB, por determinação do juiz da 33ª zona eleitoral, Luiz Fernando Boller. Duas viaturas da Polícia Militar foram deslocadas para cumprir o procedimento.

“Pelas denúncias, esta agenda teria informações sobre o aliciamento de eleitores. Vamos analisar para ver se confirmamos as informações. Ainda é prematuro dizer o que pode ocorrer. Podemos pedir a instauração de inquérito para investigar tanto o candidato envolvido, quanto os eleitores citados”, explica o promotor da 33ª zona eleitoral, Cid Luiz Schmitz Ribeiro. Compra de votos é considerado um crime federal, neste caso, a investigação é feita pela Polícia Federal (PF).

Segundo o promotor, se ficar comprovado o aliciamento de eleitores, o candidato a prefeito pelo PSDB, Herivelto Reynaldo de Castro, pode ter o registro cassado. “A cassação do registro é uma das sanções possíveis se confirmado o crime eleitoral. O importante é deixar claro que o eleitor também pode ser punido. O ato criminoso é cometido tanto por quem compra o voto, quanto por quem vende”, adverte o promotor.

Herivelto garante que a agenda não contém nenhuma informação que possa lhe prejudicar. “Da nossa parte, não há nada. Sei que policiais estiveram no escritório do partido atrás de uma agenda, mas não há nada de ilícito. Se a justiça achar por bem investigar, vamos cooperar. Estamos tranquilos”, assegura.

Antônio Mauro já solicitou recurso
O outro candidato a prefeito em Sangão, Antônio Mauro Eduardo (PP), já solicitou recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em decorrência da cassação de seu registro de candidato pela justiça eleitoral em primeira instância. Antônio Mauro teria utilizado a máquina pública para campanha eleitoral. Um funcionário da secretaria de educação da prefeitura confirmou que utilizou os computadores da secretaria para fazer o registro de candidatura e também outros materiais de campanha.

Enquanto couber recurso, o candidato pode dar continuidade à campanha. Não há previsão de quando a apelação será julgada no TRE, o que pode ocorrer inclusive após a eleição. Neste caso, ele concorre, podendo ser votado pela população, mas corre o risco de ser eleito e não ser diplomado, caso não tenha a sentença reformada nas instâncias superiores.