Jailson Vieira
Braço do Norte

Se antes a nomeação de diretores em escolas públicas era motivo de muita polêmica por ocorrer por ‘indicação’ do governo do estado, ontem com as eleições unificadas com direito a voto de professores e alunos, a situação chegou ao extremo na Escola de Educação Básica Don Joaquim, em Braço do Norte. O caso foi levado ao Ministério Público que acatou a denúncia e resultou no cancelamento da eleição.

Um dia antes do pleito para o cargo de gestor de unidade de ensino, duas professoras fizeram campanha notória para uma candidata. Uma delas propôs aos discentes um ponto na nota em troca de votos para a diretora de sua preferência.

Porém em tempos de tecnologia, um dos alunos gravou a proposta da docente, na qual ela foi bem explicita. “Darei um ponto para cada aluno que votar em determinada candidata. Tenho turmas que ganharão um ponto na média”, afirmou a professora. 

De acordo com o secretário de desenvolvimento regional de Braço do Norte, Roberto Kuerten Marcelino, as eleições não terão validade. “Por determinação da justiça o pleito foi cancelado na escola. Agora vamos aguardar. A direção atual ficará afastada por tempo indeterminado até tudo se resolver”, esclarece. A atual diretora também concorria ao cargo.

Conforme o delegado André Mendes da Silveira com experiência na defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o fato é contrário o artigo terceiro do ECA. “Na medida em que a criação e a proteção integral à criança e ao adolescente prevê um desenvolvimento de nível de educação social e moral, ali não foi verificado uma conduta que podemos relatar que seja moral, a compra de votos”, destacou.

Ele ainda ressalta que a sociedade deposita nas escolas a responsabilidade por formar a juventude para o futuro. E temos percebido desde o início uma formação deturpada e talvez isso até justifica o que se tem vivido na sociedade. 

Escolas da rede estadual definem seus novos diretores nesta semana
Pais, professores, alunos e servidores de 1.091 escolas estaduais de Santa Catarina escolherão o Plano de Gestão Escolar que definirá o rumo da escola durante os próximos quatro anos. O autor do plano mais votado será o diretor da escola pelo período e terá que cumprir o que está no papel.
“O Plano de Gestão Escolar é documento fundamental no sentido de planejar a priori a gestão, de submetê-lo à apreciação da comunidade em processo democrático de escolha de direção de escola. Pela primeira vez depois de muitos anos teremos a seleção dos diretores por meio da escolha do Plano de Gestão Escolar. Queremos melhorar ainda mais o trabalho desenvolvido nas escolas e, para isso, contamos com o apoio e o voto de toda comunidade escolar”, comenta o secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps.

Como funciona
Para participar da seleção, os profissionais da educação que atuam nas escolas e interessados em ser diretor tiveram um ano de trabalho intenso na área de gestão. O primeiro passo foi fazer um curso de gestão escolar e, posteriormente, elaborar o seu próprio plano, com as ações e os trabalhos propostos para os próximos quatro anos na unidade escolar.

Avaliação dos projetos
Os projetos inscritos passaram pela análise da comissão regional, que observou, principalmente, se o plano atende aos requisitos obrigatórios expostos em decreto. Na sequência, os planos foram avaliados pelo grupo de consultores selecionados pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese) para receber sugestões e recomendações de aprimoramento, caso necessário. A partir daí começou o processo de defesa pública direcionando, assim, a última e decisiva etapa: a votação ontem e hoje, dependendo da definição da escola.