Lysiê Santos
TUBARÃO

Um compromisso com a transformação da sociedade, com o exercício da crítica livre, com a preservação do conhecimento, com a construção de um novo saber, com a beleza, com as artes, com a cultura, baseado em valores da ética, da democracia, da justiça e da igualdade, que norteiam a sociedade. Esses são os objetivos da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), que neste sábado completa 53 anos de trajetória. Mais de meio século exercendo a missão não apenas de possibilitar aos alunos a obtenção de um diploma, um emprego e remuneração satisfatória, mas principalmente de auxiliar na produção de novos conhecimentos e preparação à vida.

Por ser uma universidade com vocação comunitária, sua atuação ultrapassa o ensino com seus cursos de graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, e extensão, atuando também em seu entorno, como os atendimentos à comunidade. Como uma vocação voltada para a excelência e com o olhar para o futuro, a Unisul tem focado seus esforços também na pesquisa, tecnologia e inovação.

O reitor da Unisul, professor Mauri Luiz Heerdt, ressalta que, por sua natureza jurídica, a Unisul não visa lucros, é mantida exclusivamente com recursos privados – mensalidades dos estudantes – e reinveste todos os seus resultados no cumprimento de sua finalidade institucional. Foi desse sonho almejado por toda a região Sul, principalmente pela comunidade tubaronense, que a união de forças e o espirito comunitário fizeram nascer uma instituição voltada para as pessoas e para o ambiente em que está inserida. “A nossa Unisul, anualmente, distribui mais de cinco mil bolsas de estudos e financiamentos. Ação que oportuniza a mudança concreta na vida dos estudantes que nela ingressam, na vida de seus familiares e nas comunidades em que residem”, destaca o reitor.

Expansão
Novas unidades na região

A Unisul, desde seu início, sempre sonhou em se expandir. Com esta visão implantou o colégio Dehon, as unidades de Araranguá, Içara, Braço do Norte, o campus Grande Florianópolis – Pedra Branca e a unidade Florianópolis, e o campus Unisul Virtual, com 78 polos de apoio presenciais, espalhados em todas as capitais e pelas principais cidades brasileiras. Para atender a demanda do ensino, a instituição oferece hoje um portfólio com 67 cursos de graduação, 46 cursos de pós-graduação, cinco mestrados e dois doutorados, além de diversos cursos de atualização. E tem orgulho de ter colocado no mercado de trabalho quase 200 mil pessoas.

Inclusão social
Universidade comunitária

Quando se trata de uma universidade comunitária, não é apenas da inclusão ao ensino que se visa. Ao todo, mais de 100 mil pessoas são atendidas nas diferentes áreas em que a Unisul proporciona a inclusão social. “A assistência médico-hospitalar, por exemplo, é uma das referências de qualidade no conjunto de serviços que a Unisul presta às cidades. Grande parte da população de Tubarão é atendida pelas clínicas ou pelas parcerias mantidas pela universidade, além dos hospitais, que contam com corpo médico de professores e estudantes para desenvolverem atividades qualificadas”, frisa o reitor.

A realização dO sonho de ser médica
A lagunense Letícia Monteiro hoje tem 24 anos, mas foi com 16 que viu seu sonho quase escapar de suas mãos. De família humilde, desde pequena quis fazer medicina, mas não tinha condições de pagar uma faculdade particular. Porém, quando ela passou no vestibular, ficando em 1º lugar no curso e em 2º lugar geral entre todos os outros candidatos, a família não mediu esforços para garantir e apoiar a futura médica. “Fizemos a matrícula sem saber se continuaria. Arrecadamos dinheiro com parentes, mas não sabia como seria o futuro”, relembra. Foi com o apoio da Unisul, por meio do Artigo 170, que ela conseguiu cursar toda a faculdade. “O benefício foi essencial durante toda a minha graduação. Além disso, sempre busquei outros projetos que pudessem me ajudar. Por conta do meu bom desempenho acadêmico, a Unisul também me ajudou, e ganhei mais uma bolsa para complementar a do Artigo 170”. Hoje, Letícia é médica do Samu em Criciúma e também faz plantões na cidade de Laguna. Ela garante que o período como universitária não foi fácil, mas que sempre batalhou muito para conseguir o que queria. “Quando as coisas vêm difíceis, a gente aproveita tudo o que dá e valoriza muito mais”, acredita a tubaronense. (Colaboração: Beatriz Juncklaus.)


O aluno que se tornou professor

João Michels Cardoso, de 24 anos, desde a infância frequenta o espaço universitário tubaronense. Ele iniciou as primeiras séries no colégio Dehon, e, ao concluir o ensino médio, prestou vestibular para o curso de engenharia química, na Unisul. Em 2011 encerrou o curso com a formatura e decidiu ser professor. Agora, aquelas pessoas que fizeram parte da sua formação desde a infância, hoje são seus colegas de trabalho. “Sempre admirei a qualificação do corpo docente da Unisul. É gratificante saber que meus professores passaram a ser meus colegas de trabalho, e hoje posso retribuir compartilhando o conhecimento com novos alunos”, afirma. Para ele, a Unisul é sua segunda família. O professor continua o processo de qualificação e está na 6ª fase da segunda graduação, em licenciatura em química, e ainda cursa o mestrado em ensino da física, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Minha vida estudantil, profissional e pessoal está toda ali na Unisul. Como professor, tento enfatizar aos alunos a grande oportunidade que é ter uma universidade referência na própria cidade”, diz.

De estudante a prefeito de Tubarão
Joares Ponticelli relembra trajetória acadêmica

Em 1987, o jovem de 22 anos deixou a cidade de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, com um propósito: cursar engenharia química na então Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (Fesc). A qualidade do curso, reconhecido como um dos melhores do Brasil, motivou Joares Carlos Ponticelli a mudar-se para Tubarão. Ele estudou até a 6ª fase, quando optou por outra área, e em 1991 se formou em Ciências e Matemática. “A minha vinda para Tubarão deve-se à universidade e foi por meio dela que comecei toda a minha trajetória profissional e de envolvimento político na cidade”, conta. Na época, o pouso-redondense já mostrava seu talento em defesa das questões sociais e políticas. Foi aí que iniciou seu envolvimento nos movimentos estudantis, sendo escolhido para ser o representante dos estudantes, no Conselho Universitário. Após sua primeira formação, ingressou em 1995 no curso de Direito e em 1996 foi eleito vereador no município. Já em 1998 ganhou sua primeira eleição como deputado estadual. “Sempre tive participação ativa no movimento estudantil e depois, como vereador e deputado por quatro mandatos e presidente da Alesc, defendi os projetos da universidade e do sistema Acafe”, afirma.


Universidade contribui com o desenvolvimento regional

De acordo com o prefeito de Tubarão, a Unisul desempenha um importante papel social e de inclusão e ainda contribui com o desenvolvimento local e regional. A prefeitura tem estreitado cada vez mais a parceria com a universidade e recentemente lançou um projeto de vocacionamento dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). O intuito é aproveitar o conhecimento relatado em documento e aplicar na resolução de problemas do município. “Não tenho dúvida de que, se não fosse a presença da universidade nesses mais de 50 anos, não teríamos o estágio de desenvolvimento e a importância que temos no cenário econômico e social de Santa Catarina. Queremos aplicar todo esse conhecimento técnico em diversas áreas, como a saúde, o desenvolvimento do Centro de Inovação, e tantas outras”, evidencia Ponticelli, que também é presidente do Conselho Curador da Fundação Unisul (Concur). Ele reconhece que os integrantes estão atentos ao momento de dificuldades que as universidades atravessam atualmente. “Observamos os desafios enfrentados pelas universidades comunitárias, convencionais, resultantes da efetiva mercantilização do ensino superior por instituições que não apresentam o mesmo comprometimento social que a Unisul oferece. Temos a missão de superar isso e buscar por meio da inovação construir a universidade para os próximos 50 anos”, avalia.