Em Tubarão, o trânsito desviado para as ruas marginais à rodovia projeta dúvidas se tudo fica pronto mesmo em dezembro, como afirma o Dnit.
Em Tubarão, o trânsito desviado para as ruas marginais à rodovia projeta dúvidas se tudo fica pronto mesmo em dezembro, como afirma o Dnit.

Zahyra Mattar
Tubarão

Quem trafega pelo trecho sul da BR-101, especialmente nos locais mais urbanizados, como é o caso do lote 26 em Tubarão, não acredita nos novos prazos do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) para a finalização das obras de duplicação. A impressão é que tudo está parado. A previsão era terminar tudo até o ano passado. Porém há muito o que fazer. Mais do que se imagina.

Na Amurel, os dois maiores gargalos – o Morro do Formigão, em Tubarão, e a ponte de Cabeçuda, em Laguna – nem sequer foram licitadas (Leia mais na página 4 desta edição). Agora, conforme o novo cronograma estabelecido pelo Dnit, a meta é concluir a pavimentação dos 248,5 quilômetros do trecho sul até dezembro deste ano. Algumas obras de arte especial, como o elevado em Maracajá, no extremo sul, têm prazo de finalização em dois anos, porém, nem mesmo as licitações foram feitas ainda. Já o túnel e a ponte, a previsão é 2012. Será?

O Dnit em Santa Catarina garante que sim e anuncia: não haverá troca de empresas nos lotes. Esta preocupação tem fundamento. Na última semana, o diretor-geral do órgão em Brasília, Luiz Antônio Pagot, disse que pretende rever contratos de empreiteiras que fazem “corpo mole para tocar as obras”. Segundo ele, a maioria assumiu muitas frentes de trabalho e agora não consegue dar conta do serviço.

A Construtora Triunfo, em Tubarão, é um exemplo: a empresa executa três obras sob a contratação do Dnit – duas são de duplicação da BR-101 (Confira no site ww w.construtoratriunfo.com. br). Paralelamente a isso há o deságio de 35% sobre o valor contratado. A grande parte das empresas que atua hoje nos lotes do trecho sul apresenta descontos grandes na época das licitações. Hoje dependem das medições para tocar as obras. Daí a sequência de atrasos. O Dnit em Santa Catarina compartilha desta ideia, mas adianta que a troca de empreiteira nesta altura do campeonato é fazer gol contra.

O temor tem precedentes: no lote de Sombrio, por exemplo, quando a DM teve o contrato rescindido pelo Dnit, em 2007, pouco mais de 2% da duplicação estava concluída. Somente após um ano – a quebra de contrato é extremamente burocrática, como tudo no setor público – a Triunfo, segunda colocada na licitação, retomou os trabalhos.

A lenda
Os primeiros estudos de viabilidade da duplicação do trecho sul da BR-101, em Santa Catarina, começaram a ser feitos em 1994. Foram concluídos quatro anos depois. Em 1999, iniciou a fase de elaboração do projeto de engenharia e o licenciamento ambiental. Foram mais três anos para isso. As obras, mesmo, começaram em 2005 e cada vez mais o fim fica distante: era 2008, é 2009, será 2010?

Obra de ponte e túnel já deveria ter iniciado

Ambos os projetos estão sob avaliação da diretoria do Dnit, em Brasília, desde a metade do ano passado. O cronograma das duas está um ano atrasado.

Tubarão

O túnel que será aberto no Morro do Formigão, em Tubarão, é o menor dos quatro previstos em toda a extensão da duplicação do trecho sul da BR-101: tem cerca de 700 metros. Ainda assim, este será um dos pontos que ficará para trás. O outro fica na Lagoa de Cabeçuda, em Laguna, onde é prevista a construção de uma enorme ponte estaiada. Esta sim, uma obra extremamente complexa.

Conforme o cronograma do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), o túnel deverá ter o projeto licitado até junho deste ano, e a licitação lançada em setembro, para que as obras iniciem já no primeiro trimestre do ano que vem. Uma previsão parecida era estimada ano passado. Ao todo, serão consumidos pelo menos dois anos (começo de 2012) para a finalização do projeto, cuja análise final é feita pela diretoria do Dnit, em Brasília, desde o segundo semestre de 2008.

Quanto à ponte, a situação é mais complicada. O projeto também aguarda o parecer da diretoria do órgão federal deste 2008. O lançamento do edital e início das obras têm prazos iguais ao do túnel (setembro deste ano e início de 2010, respectivamente). Porém, o prazo de conclusão é mais demorado: mais de dois anos e meio.
O gargalo que este atraso criará na rodovia – já que pela estimativa do Dnit é que toda a extensão do trecho sul esteja duplicada ainda este ano – poderá fazer com que os prazos destas obras sejam ainda maiores que o previsto.