Karen Novochadlo
Tubarão

Várias ruas de Tubarão ficaram alagadas com a chuva de ontem. A estação Oregon, instalada na Vila Moema, marcou 44 mm de chuva, quase o dobro do que foi registrado nos últimos 21 dias.

Algumas ruas próximas à rodoviária ficaram alagadas. Um dos acessos à Escola São Judas Tadeu, no bairro Dehon, estava intransponível. Também foram inundadas a rua Laguna e a avenida Pedro Zapellini. As vias próximas a esta avenida, principalmente as sem pavimentação, foram tomadas pela água.

A Defesa Civil de Tubarão atendeu ocorrências em três bairros: Vila Moema, Dehon e Oficinas. No Dehon, os funcionários da secretaria de desenvolvimento urbano da prefeitura precisaram realizar uma intervenção de emergência. Com uma retroescavadeira, os trabalhadores removeram a tampa da caixa de passagem, para dar vazão à água nas ruas Padre Dionísio da Cunha Laudt e Martinho Ghizzo. Na Vila Moema e em Oficinas, não foi necessário realizar obras emergenciais. Os danos causados pela chuva no município deverão ser avaliados hoje.

Chuva afasta
estiagem

Para este mês, os meteorologistas previam uma estiagem, causada pelo fenômeno La Niña, que afeta o clima aqui no sul. Até a última terça-feira, a estação meteorológica Oregon, na Vila Moema, havia registrado 18 mm de água. O índice subiu para 70mm. A média para o mês é de 90 mm. Só ontem, choveu 40mm. A chuva deve permanecer até quinta-feira.

“Um sistema de baixa pressão se formou aqui e, junto com a circulação marítima de umidade do oceano atlântico, provoca chuvas”, explica o climatologista Rafael Marques.
A temperatura mínima, que estava na faixa dos 20ºC, subiu para 22ºC. A umidade relativa do ar foi de 50% para 94%.

Esgoto invade casas no Monte Castelo

O esgoto pluvial e doméstico de três ruas passa pelo terreno da aposentada Neli da Silva Bressan. Com a chuva forte de ontem, a sua propriedade ficou inundada com água poluída. Neli não é a única moradora da rua Dorli Brunatto Menegaz, próxima do mercado Econolar, que sofre com a falta de um sistema de drenagem.

O genro da aposentada, Ivaney Menegaz, avisa que irá bloquear a tubulação. “Vamos fechar o esgoto e obrigar a prefeitura a resolver esta situação”, ameaça. Ivaney é proprietário de um supermercado localizado na mesma rua. Ele já sofreu prejuízos calculados em R$ 30 mil com mercadorias estragadas.

Com as chuvas, o sistema de drenagem não consegue dar vazão à água, que volta do esgoto e inunda as casas. Para retirar, o empresário precisa ligar uma bomba.
A tubulação que passa pela propriedade de Neli deságua em uma vala a céu aberto.

Várias vezes os moradores sentiram-se incomodados com as cheias, que provocam enchentes. Muitos tiveram que realizar reformas nas casas para evitar que a água invadisse os cômodos. O professor Fabrício Geraldo Koenig, 43 anos, vivencia o drama. “Moro aqui há 13 anos e precisei fazer várias obras aumentar a altura da casa. Imagina a quantidade de coliformes fecais aqui e as doenças. Quando a chuva é forte, chega a 1,5 metro”, reclama.

O secretário de desenvolvimento urbano da prefeitura, Nilton de Campos, diz que não é possível melhorar a situação do bairro em curto prazo. Os técnicos devem avaliar a situação nos próximos dias e a vala será limpa para facilitar o escoamento.