Tubarão

Cada detento custa para o estado (na prática, para o cidadão honesto) cerca de 1,5 mil. E isso se o “camarada” estiver com a saúde boa, porque se precisar de cuidados médicos o valor sobe consideravelmente. A rebelião ocorrida na noite do último domingo trouxe para o cidadão catarinense outra conta para pagar: a reforma do presídio custará pouco mais de R$ 150 mil.

Outro detalhe desagradável: os 56 mais baderneiros, que comandaram o motim, voltam em menos de 30 dias, já que a transferência para São Pedro de Alcântara, em Florianópolis, é somente provisória. A parte boa (sim, apesar de tudo existe o lado bom) é que a reforma contemplará o reforço na segurança e a reformulação da estrutura das celas.

Literalmente, a “cadeia” será dividida em três partes. Cada aglomerado de celas terá horários diferentes para receber visita de parentes e para o banho de sol. “Agora eles (os presos) não ficarão mais juntos no pátio. As portas serão diferentes para evitar que retirem pedaços de ferro das paredes ou as arranquem. Também será feita uma entrada mais eficiente para facilitar o trabalho da polícia nos momentos que houver conflitos, como o ocorrido no último domingo”, destaca o diretor da instituição prisional, Ricardo Welausen.

O clima dentro da prisão está bastante tranqüilo, revela o diretor. As regalias seguem cortadas. Os detentos estão nas celas sem direito a visitas, banho de sol ou qualquer objeto distrativo, como rádio ou televisor (se bem que a maioria foi destruída na rebelião). “Eles só têm acesso aos produtos de higiene pessoal. Aos olhos dos outros parece desumano, mas é uma medida corretiva que surte efeito prolongado. Além disso, temos civis trabalhando na reforma e esta é uma maneira de garantir a segurança de todos. O prédio ainda está muito frágil”, explica Ricardo.

Na segunda-feira, o Presídio Regional de Tubarão abrigava 162 detentos. Nesta sexta-feira, já eram quase 170. A preocupação com este “excesso de vagas” é grande entre as autoridades. Especialmente porque as transferências feitas na segunda-feira são temporárias e existe ação civil pública onde a instituição precisa ter, no máximo, 200 presos encarceirados. Qualquer pessoa detida que ultrapasse este número, é necessário consultar o juiz de plantão para que haja autorização.