Amanda Menger
Tubarão

Os 4.346 votos que reelegeram a chapa 1, de Genésio Goulart e Gelson Bento, para mais quatro anos à frente da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal) mostram uma vitória incontestável. O reconhecimento foi feito também pelos integrantes da chapa 2, encabeçada por João Fernandes e Maurício da Silva. Os dois foram derrotados e fizeram 894 votos. “Temos que admitir, eles souberam ganhar a eleição. Esse é um pleito diferente, você não sabe onde estão os votos. Hoje sabemos que nossa estratégia foi errada, aprendemos muito com a derrota”, avalia João.

Entre os ‘erros’ apontados por João e Maurício está a indefinição de quem seria candidato. “Eu não seria candidato a presidente, a intenção era que fosse Ivo (Stapazzol, vereador do PMDB e funcionário da Cergal há mais de 40 anos). Decidi ser candidato no dia 31 de janeiro, foi muito pouco tempo de campanha. Quem quiser derrotar a chapa dos atuais gestores terá que se preparar com pelo menos seis meses de antecedência”, observa João.

Segundo João, outro problema é o estatuto da entidade. “Privilegia quem está no poder. Quem decide a data da eleição, o número de urnas, os locais de votação e o horário, por exemplo, é quem está no poder. É muito difícil derrotar quem está no poder na cooperativa. As mudanças no estatuto só podem ser sugeridas pela diretoria, e eles não vão alterar o cenário”, analisa o candidato derrotado.

Para Maurício, mesmo com a baixa participação dos associados (de 13 mil participaram 5.240), as mudanças serão sentidas. “A Cergal não será mais a mesma depois desta eleição. Antes, os cooperados praticamente não elegiam o presidente, não havia ninguém para apresentar novas ideias. Agora, os associados sabem que é possível fazer diferente e cobrarão isso dos gestores”, pondera Maurício.

Genésio ameaça vereadores
de expulsão

A eleição da presidência da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal) pode ter consequências também na política partidária de Tubarão. O embate aumentou as rusgas no PMDB, principalmente entre o ‘bloco’ do deputado estadual Genésio Goulart (PMDB) – reeleito presidente da Cergal – e do vereador Maurício da Silva (candidato a vice-presidente na chapa derrotada).
Durante a conversa com a imprensa ontem, Maurício disse que o resultado da eleição da Cergal não deveria ser encarado como uma questão política. “São coisas diferentes. Não queríamos a presidência da cooperativa para fazer política como ele (Genésio) diz. Somos vereadores e somos associados, e ele? É deputado estadual e associado também”, observa Maurício.

Genésio disse que o presidente da câmara, João Fernandes (PSDB), tem interesses políticos. “Ele queria a Cergal para trocar por votos, fazer campanha e caixa para a eleição, coisa que eu nunca fiz. Se eles não melhoraram a conduta (referindo-se a Maurício e aos vereadores do PMDB, Ivo Stapazzol, Geraldo Pereira e Evandro Almeida, integrantes da chapa 2), eles é que terão que sair do partido. Podem ser expulsos”, declara Genésio.

Os peemedistas Jarrão e Maurício revidam em coro. “Fomos criados dentro do PMDB, somos filiados desde os tempos de MDB. Não devemos nada a ele. Seguimos a cartilha do partido à risca, diferente dele. Se ele não está à vontade, que saia. Nós (os quatro vereadores) não vamos sair”, disparam.
Segundo Jarrão, Genésio é cria do partido. “Nós é que chamamos ele, no fim dos anos 1970. Nós é que fizemos ele presidente do Campo da Eira, vereador, prefeito, presidente da Cergal e deputado estadual. Não devemos nada a ele. É o contrário”, alfineta Jarrão.

Gestores da Cergal
garantem não haver dívidas

Os gestores reeleitos da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal) garantem que a entidade não possui dívidas. As denúncias foram feitas pelos integrantes da chapa 2, encabeçada por João Fernandes e Maurício da Silva, durante a campanha eleitoral.

“A atual presidência da Geracoop, um consórcio de cooperativas de eletrificação rural que constroi uma hidrelétrica em Santa Rosa de Lima, tem uma auditoria que mostra uma dívida de R$ 3 milhões. Destes, R$ 700 mil são de responsabilidade da Cergal, porque é a maior investidora. Temos como comprovar isto”, garante João.
A informação, contudo, é rebatida pelo vice-presidente reeleito, Gelson Bento. “Não há dívidas. Posso assegurar isso, são administrações diferentes. A prestação de contas é feita anualmente e a de 2008 foi apresentada antes da eleição, no domingo, e aprovada por todos os associados presentes”, assegura o vice-presidente.

Gelson comprometeu-se em divulgar ainda esta semana um relatório com os dados apresentados na assembleia.
Para Gelson, essa questão das dívidas é intriga da chapa derrotada. “Falaram muitas bobagens durante a campanha, essa é uma delas. Os associados demonstraram nas urnas que confiam no nosso trabalho, não há o que questionar”, argumenta o vice-presidente reeleito.