Karen Novochadlo
Tubarão

Um inquérito será aberto para investigar a morte de Pedro Henrique Ayala, 3 anos. O menino morreu após a aplicação de uma injeção no soro, terça-feira à noite, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão. A criança estava com uma virose e a família procurou atendimento médico.

O delegado Jair Tartári, da delegacia da criança, do adolescente e de proteção à mulher e ao idoso, analisa a hipótese de erro na aplicação do medicamento. Nos próximos dias, funcionários do hospital e familiares serão convocados a depor. A previsão de conclusão do inquérito é de um mês e o prazo pode ser estendido para mais 30 dias.

Os sintomas de Pedro, dores de barriga e vômito, foram diagnosticados como uma virose pelo pediatra Willian Esmeraldino. A mãe, a recepcionista Maiara Pereira, 22, e tio, o vendedor Fernando Pereira, 26, o levaram para a emergência do HNSC às 10 horas.

O menino recebeu três litros de soro e foi internado no período da tarde. Posteriormente, recebeu antibióticos. O quadro de Pedro era estável e ele seria liberado para ir para casa ontem. A mãe lembra que ele chegou a brincar e andar pelo quarto do hospital. Contudo, por volta das 21 horas, recebeu a última medicação. A injeção no soro foi ministrada por uma estagiária do curso de técnico de enfermagem, sob a supervisão de uma enfermeira.

A mãe relata que, no instante que o remédio foi aplicado, o menino começou a sentir dores e pediu para tirar o soro. “Eu pedi para ela parar, mas ela continuou e, no fim, ainda disse: ‘Pronto, mãezinha, acabou’. Em seguida, meu filho morreu”, lamenta.
O pai de Pedro, o cinegrafista da Unisul TV Christian Ayala, estava em estado de choque. “Não dá para acreditar”, afirma.

Causa do óbito
O atestado de óbito indica parada cardiorrespiratória. O corpo foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Horto da Saudade. A família pretende entrar com um processo contra o hospital.

Exames ficam prontos em 15 dias

O laudo cadavérico apontará o motivo que levou o menino Pedro Henrique Ayala a ter uma parada cardiorespiratória, se foi imperícia ou choque anafilático. Os exames ficarão prontos em 15 dias.

O pediatra Willian Esmeraldino, que atendeu o menino no Hospital Nossa Senhora da Conceição, acredita que o diluente utilizado junto com o medicamento não era o indicado. Suspeita-se do uso de cloreto de potássio, substância que pode causar parada cardíaca.

Maiara Pereira desconhece que o filho tivesse alguma alergia a remédios. A direção do hospital irá esperar o fim do inquérito aberto pela polícia para se manifestar sobre o caso. Uma sindicância interna foi aberta na instituição de saúde para apurar o assunto.

A direção da Faculdade Senac, onde estuda a estagiária que aplicou a injeção, lamentou o ocorrido e também só comentará o assunto após o parecer da polícia. Caso fique comprovado erro médico, os envolvidos poderão ser enquadrados por homicídio culposo (sem intenção de matar), doloso (com intenção de matar) ou por imperícia.