Túmulos abertos, metade de um crânio e muitos ossos estavam fora dos jazigos   -  Foto:Juan Todescatt/BandSC/Divulgação/Notisul
Túmulos abertos, metade de um crânio e muitos ossos estavam fora dos jazigos - Foto:Juan Todescatt/BandSC/Divulgação/Notisul

Jailson Vieira
Jaguaruna

A degradação em alguns dos cemitérios da abrangência da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) não é mais novidade. Ontem foram encontrados no Cemitério Municipal de Jaguaruna restos de caixões em meio a entulhos, materiais de construção, um jazigo aberto, ossos e parte de um crânio humano estavam ao lado de fora de um túmulo. 

Além das más condições, o local está superlotado e não possui licença ambiental. Um inquérito policial foi instaurado na Delegacia de Crimes de Trânsito, Ambientais e ao Consumidor, em Tubarão, pelo delegado André Mendes. “Estamos na fase de produção de provas e oitiva de pessoas. Queremos concluir em breve. Após o encerramento remeteremos a justiça”, garante o delegado.

De acordo com um dos pedreiros que trabalhava no local, o zelador que atuava no cemitério está afastado há algumas semanas por problemas de saúde. Conforme o prefeito Luiz Napoli (PP) um novo administrador comandará o cemitério nos próximos dias. “A manutenção será de função do administrador. Comuniquei ao secretário de obras sobre a situação e todas as providências já foram tomadas”, assegura.

Um dos problemas ambientais mais graves levantados pelo delegado é a possibilidade de contaminação de um córrego localizado nos fundos do cemitério. “Não descartamos que esteja contaminado com os resíduos de corpos humanos. É possível que o córrego desemboque no Rio Jaguaruna e atravesse uma área de plantação de arroz”, salienta. 

Estudos ambientais estão em fase de conclusão
Em Tubarão, há uma semana, uma reunião ocorreu para tratar de assuntos referentes ao Cemitério Municipal. Representantes da prefeitura, Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fundação de Meio Ambiente (Fatma), membros das comunidades evangélicas e católicas, promotor do Ministério Público, Sandro Araújo, e o delegado André Mendes buscam juntos encontrar uma saída para as condições ambientais relacionadas ao cemitério.
Entretanto os estudos ambientais, em fase de conclusão, realizados pela empresa Geoconsultores, por meio do geólogo Wilson de Oliveira, apontam que não existe mais condições de sepultamentos no local que recebe desde o século 19, os mortos na Cidade Azul. “O local não atende os requisitos necessários pedidos na análise. Mas por enquanto não haverá suspensão enquanto não concluirmos os estudos. Há informações que precisam ser complementadas”, observa o geólogo.
No mês passado foram encontrados resíduos de funerais e outros materiais expostos a céu aberto no Cemitério Municipal de Tubarão.