Zahyra Mattar
Tubarão

A reunião peemedebista para articular as eleições do próximo ano, às 20 horas de ontem, no diretório do partido em Tubarão, só não foi ofuscada pelas denúncias do deputado estadual Joares Ponticelli (PP) por não se tratar de um ato público. Ponticelli subiu à tribuna do legislativo quarta-feira com um folheto em mãos onde discriminava os ganhos da família do presidente estadual do PMDB e da Holdin e Geração Celesc, Eduardo Pinho Moreira. Conforme o levantamento do deputado, algo em torno de R$ 66 mil por mês.

O ataque tem como epicentro o filho de Moreira. O rapaz é médico e foi contratado em caráter temporário para atuar junto ao Detran em Florianópolis com um salário de R$ 10 mil mensais. “É uma legalidade imoral. Não questiono as condições profissionais do rapaz, mas a falta de um processo seletivo para a contratação. Tem quantos médicos habilitados por aí à espera de uma chance como essa? Esta contratação é política. Não ataco a família do ex-governador, como ele diz, somente defendo as outras famílias catarinenses”, argumenta Ponticelli.

Sem perder o jogo de cintura, Eduardo Moreira tem uma única e ensaiada resposta ao assunto. Considera a discussão política em torno do caso legítima e se for apenas a sua pessoa. Não admite o envolvimento de sua família, especialmente um dos seus quatro filhos. “Não há nenhuma ilegalidade, apenas um ato formal para o exercício da profissão. É lamentável que tentem inventar uma realidade com o objetivo de me prejudicar”, rebate.

A contratação do filho de Moreira foi publicada na página 16 no Diário Oficial de Santa Catarina no dia 28 de janeiro. Ele é responsável por realizar exames de aptidão física e mental nos futuros motoristas da Grande Florianópolis. Ponticelli e o Partido Progressista acionaram ontem o Ministério Público sob a argumentação de que a contratação é inconstitucional, já que o mais acertado será a realização de um processo seletivo.

Quando começou
Ainda conforme a denúncia feita ao MP, este ano, o Detran credenciou de forma considerada pelo deputado Joares Ponticelli (PP) como “ilegal e imoral”, mais de 30 médicos e psicólogos, a maioria na região sul do estado. “Neste número, não estão as renovações de credenciamento. Se isto for computado, é possível que seja o dobro”, informa Ponticelli.