João Batista de Andrade, ao centro, e Nilton de Campos, à direita, assumiram ontem a mesa diretora da câmara. Ivo Stapazzol (PMDB) permaneceu como secretário. Ninguém entendeu nada!
João Batista de Andrade, ao centro, e Nilton de Campos, à direita, assumiram ontem a mesa diretora da câmara. Ivo Stapazzol (PMDB) permaneceu como secretário. Ninguém entendeu nada!

Cristiano Carrador
Tubarão

O que concluir da eleição da nova mesa diretora da câmara de Tubarão ontem à noite? Num primeiro momento, parece difícil. É difícil! Depois de alguns telefonemas… Até ontem secretários de segurança e trânsito e desenvolvimento urbano da prefeitura, os tucanos João Batista de Andrade, o Sargento Batista, e Nilton de Campos, reassumiram os seus cargos no legislativo e foram eleitos presidente e vice. O ex-presidente João Fernandes, também tucano, antes contestado pelos colegas, foi eleito segundo vice.

Líderes do Partido Progressista (PP), ainda no governo do prefeito Manoel Bertoncini (PSDB), foram os que mais protestaram. Há a informação de que nem o prefeito sabia da articulação de bastidores. Os progressistas acusam o PMDB, que tem três cargos no legislativo, de aliarem-se ao PSDB. Até ontem no fim da tarde, ninguém imaginava o que ocorreria, nem os suplentes tucanos Haroldo de Oliveira Silva, o Dura, e Jefferson Brunato, que deixaram a câmara.

Destituído do cargo pela justiça, o vereador Maurício da Silva (PMDB), um dos maiores líderes da sigla, inclusive na câmara, disse que a postura independente com relação ao executivo continuará. Será? Chegou de viagem ontem, foi ao fórum e está fora do cargo. “Recuperei-me de uma gripe, consegui chegar antes”, justificou.

Também destituído, Léo Rosa de Andrade (PPS) foi à câmara, agradeceu e entregou o cargo. “Saí antes que ocorresse a nova formação da mesa. Como estou fora, não poderia participar”, disse. Os dois continuarão a tentar, na justiça, reaver os cargos. Foram condenados sem apresentar defesa, por falha do advogado, a perda dos direitos políticos por três anos. Ocupavam cargos de vereadores e de gestores no estado ao mesmo tempo, em 2003.

PP pensa em mandado de segurança

Com dois vereadores na câmara, um vice-prefeito e seis cargos no primeiro escalão da prefeitura, os progressistas protestaram veementemente ontem à noite pela mudança de rumo no legislativo. Deka May fez o desabafo na tribuna. “Foi uma conspiração. Fomos todos traídos. Eu, Dura, Brunato, Pepê, Dionísio (Bressan Lemos, vereador), Edson Firmino (PDT, também vereador)”, desabafou.

Deka acredita que nem o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB) sabia da manobra. “Somos leais a Manoel, mas estamos apanhando igual a cachorro. O que foi negociado? O PSDB negociou com o PMDB! João Fernandes (tucano ex-presidente da câmara) enalteceu Toni Bittencourt (presidente da sigla) na tribuna. Isso é traição”, completou.

O vice-prefeito Pepê Collaço, presidente progressista, disse por volta das 22 horas que ainda estava tonto. “Levamos uma rasteira, caímos todos num bolo. Vamos ver como fica”, declarou. Falou até num mandado de segurança para tentar anular a eleição de ontem à noite. Disse que Sargento Batista e Nilton de Campos não haviam pedido a exoneração da prefeitura oficialmente até ontem à noite.

“É uma hipótese, vamos ver todos os detalhes para sabermos o que fazer. Claro que recebemos as impressões de um primeiro momento, vamos debater com todo o partido. Quero conversar com o Manoel”, advertiu, sem esconder que as relações entre os dois partidos com mais cargos no executivo está estremecida. Disse que a sua vontade, em um primeiro momento, é que o partido desembarque do governo. Não do cargo de vice, claro, o único conquistado com voto popular.

O deputado Joares Ponticelli (PP) foi mais enfático. Disse que, por ele, o desembarque ocorreria imediatamente, mas respeitará a decisão do partido. “Como eles, o PSDB e o PMDB, olharão para a população? O acordo todo foi para salvar as contas do Carlos (Stüpp, ex-prefeito do PSDB). Ele segue mandando, sem trabalhar, de bem com a vida. O Arruda (José Roberto, ex-governador cassado do Distrito Federal) é fichinha perto do que ocorre em Tubarão. É muita negociata, desmoralização”, criticou.

Novo presidente confirma acordo

Novo presidente da câmara, João Batista de Andrade (PSDB), o Sargento Batista, não negou o acordo com o PMDB para chegar ao cargo. “Até sábado, não havíamos pensado nisso tudo. Dura (Haroldo Silva), suplente que perdeu o cargo ontem, negociava as coisas lá, não sabíamos de nada. Não podia ser assim”, advertiu Batista. Ressaltou que a situação na câmara era conflitante.

“Agora, até o fim do ano, vamos conversar, temos o bloco da maioria (com o PMDB) e queremos fazer o melhor pela cidade”, defendeu. Confirmou que Dura e Jefferson Brunato ficaram sabendo da decisão só no fim da tarde. Revelou que o prefeito Manoel Bertoncini, que está em São Paulo, realmente não sabia da decisão dele e de Nilton de Campos. Falou em público que toda a negociação teve a participação do ex-prefeito Carlos Stüpp.

Batista também confirmou que Dura e Jefferson Brunato ficaram chateados, reconheceu que pode estremecer as bases dentro do partido, mas acredita que o tempo mostrará como tudo ficará. Como foi citado por Joares Ponticelli (leia abaixo, à esquerda), o ex-prefeito Carlos Stüpp foi procurado pelo Notisul ontem à noite, mas não atendeu a ligação.

Solidariedade

Líder do governo, principal desafeto do vereador João Fernandes (PSDB), o agora suplente Haroldo Silva, o Dura, também tucano, foi diplomático. Disse que realmente foi pego de surpresa, mas sabia da sua condição de suplente. Era 23h43min de ontem quando destacou que recebeu inúmeros telefonemas de solidariedade. “Até de gente do PMDB. Avisei a minha base, a quem sou leal. Agora vou conversar com o prefeito Manoel Bertoncini”, declarou. Fez questão de frisar que está tudo certo com o partido. Deu a entrevista com cuidado, mas, é natural, ficou chateado.