Karen Novochadlo
Tubarão

Tubarão poderá ter o seu primeiro parque eólico. O investimento de quase R$ 300 milhões é feito por um grupo privado, composto por dez empresários catarinenses, a maioria da região de Blumenau. No momento, em terrenos arrendados na comunidade de Congonhas, é realizado o estudo da qualidade dos ventos.

Um medidor foi instalado no local. Se o resultado for bom, o parque será instalado. Quem desenvolve o projeto é uma empresa dinamarquesa. Ainda não se sabe quantas torres serão instaladas. Isto dependerá do tipo do vento e do tamanho dos equipamentos. A estimativa é que sejam entre 30 e 40. O estudo será encerrado no próximo ano. E, se tudo der certo, a estimativa de início das operações é o fim de 2013 ou 2014.

Simultaneamente, também é feito um estudo para ponderar qual a melhor forma de conectar com a rede elétrica. E também será avaliado se serão buscados recursos com a Caixa Econômica Federal ou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“É uma energia limpa e o governo incentiva com benefícios fiscais quem produz”, explica o diretor administrativo do Grupo Congonhas, Valter Luiz Torresani.

Congonhas foi escolhido por causa da qualidade do vento. Um estudo nacional apontou que a região tem ventos fortes. O lucro do grupo será através da compra de energia pelo governo federal. A concessão para este tipo de trabalho é de 30 anos.

Medição de ventos em Laguna
A preocupação com o meio ambiente desperta o interesse, cada vez maior, para a realização de investimentos em energias alternativas aos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão. Neste aspecto, a energia eólica surge como uma opção. A região, inclusive, atrai muitos investidores neste ramo. A empresa Consult, de Porto Alegre, tem um projeto para construção de um parque eólico em Laguna. A medição dos ventos é realizada há mais de um ano e deve ser concluída em dezembro.

A partir daí, os projetos deverão ser finalizados e apresentados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que aprova e concede a outorga para exploração.

A empresa Consult atua no ramo da engenharia e do agronegócio. Em Laguna, o grupo possui fazendas de gado há 27 anos. São nestes espaços que há a pretensão de iniciar o projeto Complexo Eólico Nova Laguna.

A partir da captação de investidores nacionais e internacionais, a Consult tem a meta de colocar torres – os chamados cataventos -, na região da Madre, às margens do Rio Tubarão. Em média, cada torre terá capacidade de gerar 2 megawats de potência, com custo de instalação de R$ 10 milhões cada.

Mais sobre a energia eólica
Em Santa Catarina, existem três pontos mais propícios para a geração de energia eólica: a região de Bom Jardim da Serra, onde começaram a construir um parque eólico, em Água Doce, no meio oeste, e na região de Laguna.

• A energia eólica é utilizada pelo homem muito antes da lâmpada surgir. Desde a antiguidade, as embarcações e os moinhos eram movidos pela força dos ventos.

• Atualmente, apenas 1% da energia gerada no mundo provém deste tipo de fonte. Porém, o potencial para exploração é enorme.

• O Brasil tem um dos maiores potenciais eólicos do planeta. O país responde por cerca da metade da capacidade instalada na América Latina.

• Atualmente, existem 34 usinas (algumas ainda estão em obras) eólicas no Brasil. A maioria fica no norte e nordeste do país. Juntas, têm capacidade para gerar cerca de 443.284 kW.

• Na região, Laguna é um dos municípios com maior potencial para abrigar parques eólicos. Há pouco mais de seis anos, a empresa Enesan, de Florianópolis, cogitou investir na cidade. O projeto previa a instalação de uma usina na região do Farol de Santa Marta. Contudo, questões ambientais frustraram o investimento e o projeto foi abandonado.