Zahyra Mattar
Tubarão

Poucas coisas sensibilizam tanto as pessoas como um sorriso em um rostinho de uma criança. Os passinhos barulhentos correndo pela casa, um pedido manhoso logo no início da manhã. Ter filhos é o sonhos de muitos casais – e pessoas solteiras também. Boa parte está aberta a amar incondicionalmente um ser especial que foi gerado por outra família, mas por um motivo ou outro, teve que deixá-lo.

A adoção é, sim, um ato de amor. Em Tubarão, 42 pretendentes estão dispostos a dedicar os seus tempos e entregarem seus corações para uma criança. Querem adotar e aguardam uma oportunidade. Em contrapartida, existem dois menores à espera de um lar: um menino de 13 anos e uma menina de 11. “O grande ‘Q’ da questão é que a maioria quer recém-nascidos ou crianças de até 5 anos. Depois disso, as crianças são consideradas ‘velhas’ para serem adotadas”, lamente a assistente social da vara da infância e juventude de Tubarão, Mirim Esteves Corrêa.

O tempo de espera para adotar, que pode chegar a dois anos, não é mais um fator que afasta os pretendentes. Já foi pior. “Este período é necessário para que possamos estudar a família pretendente e também ter certeza dos motivos que levam a pessoa a buscar a adoção. Um filho, seja biológico ou não, é para sempre”, pontua Miriam.

O processo é relativamente simples. Os interessados – que podem ser homens, mulheres, casados, solteiros ou em união estável – fazem a inscrição no fórum e depois aguardam surgir a criança cujas características são as pedidas pelos pretendentes.
Neste período de espera, a família é avaliada.

“Existe um mito em torno disto. Muitos acreditam que é necessário ter uma mansão, uma conta bancária gorda e uma frota de carros para adotar uma criança. Não é isto que procuramos. A intenção é apenas encontrar um lar estável, limpo e que possa garantir alimentação, educação e segurança para o novo membro da família”, desmistifica Miriam.

Novo cadastro de adoção agiliza o processo
O país deverá possuir, até novembro, um cadastro nacional único de adoção. Desta forma, o processo de adoção poderá ser agilizado. O mecanismo de funcionamento integra as listas já existentes nas comarcas e nos estados.

“A comarca de Tubarão, por exemplo, tem sua lista. A do estado é formada por todas as comarcas. Assim, a do país, será formada pela lista de todos os estados. Isto vai diminuir o tempo de busca por famílias. O maior objetivo é fazer com que as crianças e adolescentes fiquem o menor tempo possível em abrigos”, explica a assistente social da vara da infância e juventude de Tubarão, Mirim Esteves Corrêa.

Diferente do que ocorria antes, agora o pretendente à adoção inscreve-se apenas na sua comarca, mas seu nome figurará em todo o país. “Quando surge uma criança em Tubarão, por exemplo, é feita a busca na comarca. Se as características não baterem com as preferências pedidas pelos futuros pais, busca-se no estado, depois no restante do país e, em último caso, na lista de estrangeiros que querem adotar brasileirinhos”, detalha Miriam.

Apesar disso, a avaliação dos interessados em adotar um filho continua tão criteriosa como antes. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece regras e restrições para esses processos. O tempo de espera pode chegar a dois anos.