Karen Novochadlo
Tubarão

Nos próximos quatro meses, Tubarão poderá passar por um difícil período de estiagem. O motivo é o fenômeno natural La Niña, que ocorre no Oceano Pacífico e impede a saída de frentes de ar quente da Amazônia.

As previsões apontam para uma época mais seca. Segundo o climatologista Rafael Marques, o La Niña em 2010 será um dos mais fortes já registrados. Entretanto, não é motivo para pânico. Este fenômeno faz parte dos ciclos naturais do planeta. “Faz parte da variabilidade climática e pode durar de seis até 18 meses”, aponta Rafael.
Já é possível observar que o nível médio pluviométrico, este ano, diminuiu em relação a outros períodos. Em agosto, choveu 45 mm em Tubarão, em vez dos habituais 88 mm. Neste mês, caíram 52 mm de água, quando o normal é 115 mm.

O climatologista acredita que não será um verão muito quente. “Tem dias que serão mais abafados. Mas a média será baixa”, avisa Rafael. A La Niña não permitirá que saiam frentes quentes da Amazônia, enquanto virão as frentes frias do polo sul. Em outubro, a temperatura média mais alta foi 27,7ºC, quando em 2009 foi 36,7ºC. No mês de outubro, o normal é temperaturas acima de 30ºC.

O que é La Niña?
É um fenômeno oceânico-atmosférico, com características opostas ao EL Niño. Ocorre por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns efeitos:
• Aumento das chuvas na região nordeste do Brasil;
• Temperaturas abaixo do normal para o verão, nas regiões sul e sudeste do Brasil.

Agricultura e pecuária
serão prejudicadas

Em períodos de seca e estiagem, os cuidados devem ser redobrados na agricultura e agropecuária. A tendência é que a produção diminua e, consequentemente, aumente os preços dos alimentos no comércio.

“Neste período da chegada do verão, a temperatura aumenta e a chuva diminui. É normal ocorrer a perda de água nas plantas”, explica o engenheiro agrônomo Clair Teixeira de Souza. A La Niña pode agravar a situação.

A produção de carne e de leite está entre as mais afetadas nos períodos de pouca chuva. Como diminuem as pastagens por causa da estiagem, o gado passa a engordar menos. Os cultivos de milho e feijão, comuns na região, também sofrem bastante com a falta de água.

O arroz e as hortaliças são os menos afetados com a estiagem. “Durante algum tempo, o arroz tem a proteção de uma lâmina d’água, porém, se a situação piorar, também sente os efeitos”, alerta o engenheiro.
Neste período, os agricultores devem redobrar os cuidados na preparação do solo, cobrir algumas áreas para manter a umidade, realizar o plantio quando a terra estiver úmida. Os pecuaristas precisam preocupar-se em manter um estoque de alimento para o gado.

Águas de Tubarão
prepara-se para a estiagem

Com a previsão de estiagem para os próximos meses, o Águas de Tubarão prepara-se para que não falte água na região. A agência tem realizado reuniões para debater o tema.

Segundo o superintendente Afonso Furghestti, algumas medidas poderão ser tomadas como a limpeza dos canais de captação e, em casos extremos, a dragagem do rio. “Existe uma previsão para escassez e estamos nos preparando”, revela Afonso.
Entretanto, a melhor saída é a prevenção, economia de água. “No banho, é onde ocorrem os maiores consumos de água. E, no verão, as pessoas se banham mais”, explica. Uma ideia é reduzir o tempo debaixo do chuveiro.

Por dia, são captados 30 milhões de litros de água do rio. Em caso de emergência, existe uma reserva de 12 milhões de litros, que pode durar até quatro horas.