Amanda Menger
Tubarão

Dezembro mal começou e já traz chuva. Isso porque há um ciclone extratropical em formação entre a costa do Rio Grande do Sul e o Uruguai. O fenômeno desloca-se para Santa Catarina e provoca chuva e ventos fortes a partir de hoje.

Um comunicado foi repassado à Defesa Civil do estado e dos municípios, pois há risco de deslizamentos, já que o solo continua encharcado com as precipitações das últimas semanas. “Este fenômeno é comum, ocorrem diversos ciclones durante o ano. Hoje (ontem), o dia foi muito quente e há um sistema de baixa pressão atuando no estado, e agora vem uma massa de ar frio do Rio Grande do Sul, o que provoca chuva e ventos fortes, descargas elétricas e até granizo”, explica o meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia (Ciram/Epagri), Maurici Monteiro.

Para o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, do Climaterra, o ciclone preocupa mais pelos ventos. “Pode chover, mas será pouco. Os ventos é que serão mais fortes, podem passar de 80 quilômetros por hora nas praias, o que atrapalha os pescadores, porque o vento será do quadrante sudoeste”, argumenta Coutinho.

O comunicado foi repassado à Defesa Civil de Tubarão. “O ciclone está em formação entre a costa do Rio Grande do Sul e Uruguai e afasta-se do continente. As chuvas serão fracas durante a semana e ocorrerão no norte do estado. De qualquer forma, estamos em alerta”, garante o coordenador Edvan Nunes.

Como o risco maior são os ventos, as atenções voltam-se para as árvores em estado precário nas margens do Rio Tubarão. “A cada tempestade com vento isso volta a ser uma preocupação. Na maioria das vezes, as árvores caem na calha do rio. Não conseguimos ainda a autorização da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para podermos cortar as árvores e substituí-las por outras, nativas da região”, afirma Edvan.

Desde o ano passado, a prefeitura de Tubarão tenta cortar cerca de 900 árvores que correm risco de cair. A classificação foi feita após uma tempestade ocorrida em março de 2007. A licença para corte foi enviada para a Fatma, que, por sua vez, encaminhou o pedido à SPU, já que as margens do rio são consideradas áreas de responsabilidade federal.

Defesa civil pretende solucionar hoje problema em casa no KM 60

Tatiana Dornelles
Tubarão

O deslizamento de uma pedra, há cerca de 11 dias, tem causado desespero a uma família de Tubarão, mais precisamente do KM 60, que está na casa de amigos e não tem para onde ir. Com as chuvas que ocorreram nas últimas semanas sem cessar, várias comunidades sofreram com algum tipo de problema.
Alagamentos em ruas e em casas, pedras deslizando, terrenos desmanchando-se na beira do rio e estradas intransitáveis foram alguns problemas decorrentes das chuvas. Três famílias ficaram desalojadas, inclusive a de Ivaneti Espíndola da Silva, moradora do KM 60. Ela procurou a prefeitura ontem para pedir rapidez na solução do caso.

Uma pedra caiu e destruiu a parede de um dos cômodos da casa. Outra ainda está em risco de deslizar. Daí o impedimento de a família voltar à residência. Segundo o coordenador da defesa civil em Tubarão, Edvan Nunes, hoje de manhã uma equipe irá ao local para avaliar e verificar o que pode ser feito.
“Levaremos um técnico que trabalha com rochas e o secretário de obras, Anselmo de Bona Melo, para analisar a situação. A casa ainda corre risco e a família não tem para onde ir. Por isso, faremos todos os esforços para resolver o problema já amanhã (hoje)”, conta Edvan.

O filho de Ivaneti, Cristiano da Silva, estuda na escola estadual Senador Francisco Benjamin Gallotti. Como demonstração de solidariedade, a unidade escolar fez uma campanha de arrecadação de roupas e alimentos para ajudar a família. “Os alunos trouxeram alimentos e roupas e doamos para a família do nosso aluno. Mas também estamos engajados na campanha em prol dos desabrigados nas cidades do norte”, explica a diretora da instituição de ensino, Vera Regina de Quadros Soares Reis.