Amanda Menger
Tubarão

Na madrugada de ontem, o rio Tubarão chegou a 4,70 metros acima do nível normal. Esta foi a maior alta registrada nos últimos dias. Pelos dados da defesa civil do município, o rio subiu mais de um metro de sexta até ontem. E faltou menos de um metro para que começasse a transbordar em áreas mais baixas, como o Campestre.

“O rio chegou a um nível de alerta, mas voltou a baixar durante o dia. Chegamos a ter uma vazão que permitiu uma queda de até 12 centímetros por hora. Se subisse mais, em 5,30 metros começaria a transbordar na região, próximo à Associação dos Funcionários da Prefeitura, no Campestre”, afirma o coordenador da defesa civil, Edvan Nunes.

Na sexta-feira, às 9 horas, o nível do rio chegou a 3,50 metros acima do normal. No sábado pela manhã tinha caído para 3,30 metros por volta das 7h30min. Ontem, às 5 horas, o nível estava em 4,50 metros. Três horas mais tarde, às 8 horas, estava em 4,40 metros. Já às 15h30min, tinha chegado a 4,20 metros e às 19 horas, voltou ao patamar de sexta-feira: 3,50 metros.

Segundo Edvan, os problemas de alagamentos não foram causados pelo rio e sim pela grande precipitação. “É muita água. Dos 23 dias do mês, em 16 choveu. Os problemas registrados são pontuais, algumas áreas que geralmente ocorrem estas situações quando chove”, afirma Edvan.

Durante o fim de semana, equipes da defesa civil monitoraram a situação. “Uma família, na Madre, precisou sair de casa porque a água estava invadindo. Quando fomos pegá-los para levar para um abrigo da prefeitura eles já tinham ido para a casa de parentes”, relata o coordenador.

Chuvas estão acima da média em toda região
A chuva praticamente ininterrupta dos últimos dias fez com que a média histórica para novembro fosse superada em diversos municípios. Em Tubarão, por exemplo, a média é de 94 milímetros, mas em alguns pontos já choveu 319 milímetros, como é o caso do bairro São João.

“Sexta-feira foi realmente o dia mais chuvoso da história da cidade. Choveu naquele dia o esperado para o mês inteiro. A situação só não é pior porque em outros municípios choveu menos do que aqui, como é o caso de Orleans, que choveu 206 milimetros, quase 100 a menos do que aqui. A enchente de 1974 foi o que foi porque choveu muito na cabeceira do rio”, observa o engenheiro químico Rafael Marques. Ele desenvolve uma pesquisa de mestrado sobre a precipitação pluviométrica na bacia do rio Tubarão.

Em Orleans, a média para novembro é de 112,6 milimetros e, até ontem, choveu 1,82 vezes mais do que o esperado.