Amanda Menger
Tubarão

Há quatro meses, as obras do Centro Integrado de Artes Popular, na antiga rodoviária de Tubarão, estão paradas. A construção deveria estar pronta há um ano, mas até agora nada. A empreiteira Ser Forte, de Criciúma, recusa-se a voltar ao canteiro de obras enquanto os problemas não forem resolvidos.
Ontem, em entrevista à Rádio Santa Catarina, o prefeito Dr. Manoel Bertoncini (PSDB) disse que a empresa teria manifestado interesse em rescindir o contrato. O engenheiro responsável, Vilmar Gerômino, contesta. “Temos interesse em retomar a obra, desde que as solicitações sejam atendidas. Em dezembro, enviamos um ofício pedindo que o prédio fosse desocupado, porém, o barbeiro continua lá. Não temos como seguir a obra assim”, diz Gerônimo.

As contradições não param aí. Os secretários da prefeitura não se entendem. Essa situação era evidente em dezembro. Os secretários de planejamento, Edvan Nunes, e o então secretário de cultura, esporte e turismo, Felipe Felisbino, empurravam um para o outro a responsabilidade sobre a liberação do prédio.
Agora, Edvan diz que o caso está em análise na procuradoria-geral da prefeitura. “Também ouvi esta entrevista do prefeito, sei que será solicitado a empresa que manifeste o seu interesse, e se for por rescindir, que faça isso formalmente”, afirma o secretário (o planejamento é responsável pela fiscalização das obras).

A procuradora-geral da prefeitura, Letícia Bianchini, diz que não recebeu este ano nenhum pedido dos secretários. “A última movimentação foi para que déssemos um prazo maior ao barbeiro para que ele saísse do local. Mas, depois, não foi feito mais nada”, relata.
Segundo a secretária de cultura, esporte e turismo, Débora Carla Pimenta, há sim o interesse da empresa em rescindir o contrato. “Eles (da empresa) alegam várias coisas, mas até agora não recebemos nenhum posicionamento oficial deles. Quem está cuidando disso é o jurídico da prefeitura”, declara Débora.

Empreiteira diz que não
recebeu os pagamentos

Além da dificuldade para desocupar o prédio (já que o barbeiro continua ocupando uma sala), a empreiteira Ser Forte diz que a obra lhe deu prejuízo. Segundo o engenheiro responsável, Vilmar Gerônimo, o valor investido pela empresa é menor do que o recebido.

“Nós entregamos medições que não foram pagas. Pode ser que isso não seja só de responsabilidade da prefeitura, porque o contrato é feito por meio da Caixa Econômica Federal, já que os recursos são federais. Hoje, posso dizer que estamos no prejuízo”, afirma o engenheiro. Ele não soube precisar os valores investidos e nem os recebidos.

A secretária de cultura, esporte e turismo da prefeitura, Débora Carla Pimenta, afirma que, da parte da prefeitura, está tudo em dia. “Não sei os valores que foram pagos, mas aquilo que a empresa fez ela recebeu”, afirma.
Gerônimo diz que a empresa está aberta a conversas. “Depende do contato deles, porque da nossa parte já fizemos o que tínhamos que fazer. No ofício enviado em dezembro, expusemos todas as nossas reivindicações e até agora esperamos uma resposta deles”, declara o engenheiro.

O Centro Integrado de Arte abrigará oficinas permanentes de artesanato, artes visuais e oficinas de música, abertos à comunidade. A prefeitura recebeu R$ 150 mil do Ministério do Turismo e R$ 33 mil da Alcoa Foudantion.