Carolina Carradore
Tubarão

O vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), faltou a duas sessões da câmara de vereadores de Tubarão desde que seu nome foi vinculado em uma matéria divulgada no Fantástico, há oito dias. Na reportagem, Jarrão é denunciado por fazer turismo com dinheiro público no momento em que deveria participar de um curso para vereador.
Ontem, ele deu o ar da graça na sessão legislativa, mas sua presença não durou nem 20 minutos. Jarrão participou da ordem do dia (momento em que são apreciados os projetos de lei) e foi embora. A rápida passagem, porém, garantiu-lhe a presença na lista de chamada.

Pelo regimento interno do legislativo, o vereador tem a obrigação de participar apenas da ordem do dia. Em resumo: não precisa ficar até o fim da sessão. Ainda pela lei, as duas faltas de Jarrão das sessões anteriores teriam que ser descontadas do seu salário.

Cada falta equivale a R$ 600,00 a menos na folha de pagamento. A informação é da presidência da casa. O salário de um vereador em Tubarão é de R$ 6.090,00. Com os descontos, cada um recebe, líquido, R$ 4.090,00. Se de fato a câmara descontar as faltas de Jarrão, ele receberá R$ 2.890,00 este mês.

Segundo o presidente do legislativo, João Batista de Andrade, o Sargento Batista (PSDB), as ausências dos vereadores nas sessões somente são justificadas caso precisem afastar-se por conta de trabalhos da câmara ou por motivos de saúde.

Falta justificada
Funcionários da câmara de vereadores de Tubarão informaram ontem que o vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB) poderia ter apresentado atestado médico para justificar sua ausência nas duas últimas sessão da câmara, na semana passada. Porém, eles não sabem se isso ocorreu de fato. A primeira ausência, na segunda-feira da última semana, colegas o teriam aconselhado a não comparecer no plenário por conta da repercussão da matéria divulgada no Fantástico. Na quinta-feira passada, ele disse ao Notisul que faria uma viagem à Florianópolis.

O outro lado
O vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), se diz inocente das acusações. “Eu falei aquela frase por brincadeira e naquele momento, não havia mais seminário. Estávamos de folga”, garante. A assessora Cynara Guimarães Antunes foi procurada diversas vezes pelo Notisul, mas apenas resumiu que não tinha nada a declarar.

Diárias
A câmara de vereadores de Tubarão divulgou ontem os dados oficiais relacionados aos gastos com diárias dispensadas a vereadores e funcionários da casa. Em 2009, foram gastos R$ 21.745,56 com diárias para a realização de trabalhos ou cursos de qualificação. Nos primeiros sete meses deste ano, o número chega perto da despesa do ano anterior: R$ 18.407,40.

Grizotti confirma ausência
de Jarrão em curso

Os três vereadores que compõe a Comissão Especial de Inquérito (CEI) – Albertina Carvalho, a Bete Xuxa (PSDB), Dionísio Bressan Lemos (PP – foto) e Edson Firmino (PDT) – ouviram ontem, em Porto Alegre (RS), o repórter Giovani Grizotti, autor da matéria “A farra dos vereadores”, que acusa o colega Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), de mau uso da verba pública.

Por conta da viagem, o trio não compareceram na sessão de ontem. O jornalista confirmou à comissão que de fato Jarrão estava na praia de Porto de Galinhas junto com a esposa, a filha e a assessora Cynara Guimarães Antunes. “Ele disse que tanto o vereador e a assessora deveriam estar, naquele momento, no curso de vereador, mas estavam na praia. Ele só confirmou tudo que já foi divulgado”, antecipa o relator da comissão, Dionísio Bressan.

Grizotti também ressaltou que foi para ele que Jarrão disse a frase divulgada na matéria: “Eu não vim aqui pra vim fazer curso de vereador não. Vim pra passear”.

Projeto Ficha Limpa é apresentado

O presidente da câmara de vereadores de Tubarão, João Batista de Andrade, o Sargento Batista (PSDB), apresentou na sessão de ontem o projeto de lei que impede a nomeação de pessoas que tenham condenação na justiça a cargos do legislativo. A matéria tem 11 itens que detalham a disciplina que deve ser tomada à nomeação de cargos na câmara. A ideia de Batista foi bem aceita pelos colegas.

“Ser honesto é obrigação do cidadão, mas infelizmente projetos como esses são obrigados a serem colocados em prática. Admiro sua atitude”, elogiou o vereador Caio Tokarski (PMDB), ao sugerir que o “Ficha Limpa” também seja aplicado no executivo. O projeto será apresentado às comissões da câmara, avaliado e, em seguida, colocado em votação no plenário.