Carolina Carradore
Tubarão

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) aberta há nove dias para investigar a denúncia contra o vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), ainda não teve acesso à gravação divulgada no Fantástico. A matéria Farra dos Vereadores mostra Jarrão e sua assessora, Cynara Guimarães Antunes, em Porto de Galinhas enquanto deveriam participar de um curso para vereador, no Recife.

O que a comissão tem até agora é uma declaração assinada pelo repórter Giovani Grizotti, responsável pela reportagem. Em reunião com os vereadores que integram a comissão, Giovani declarou que Jarrão curtia a praia de Porto de Galinhas, junto com a filha, a esposa e a assessora Cynara no horário em que deveria participar estar no curso de qualificação parlamentar.

Porém, quando foi pedida a gravação sem edição, Grizotti disse que só poderia entregar via judicial. “Ele foi muito atencioso, disse que poderia nos mostrar o vídeo, mas não poderíamos levar o material sem autorização judicial”, reitera o presidente da CEI, vereador Edson Firmino (PDT). A comissão estuda ainda se entrará na justiça para obter o material.

Sem relatório

A câmara de vereadores de Tubarão divulgou nesta segunda-feira os valores exatos dos gastos com diárias dispensadas a vereadores e funcionários em 2009 e neste ano. Mas o relatório com detalhes, como quantas viagens foram realizadas, o destino, e quais os vereadores fizeram uso de diárias, ainda não foi divulgado. Funcionários da câmara trabalham na formulação deste documento há nove dias e ainda concluíram o trabalho. Em 2009, foram gastos R$ 21.745,56 com diárias. Nos primeiros sete meses deste ano foram dispensados R$ 18.407,40, quase o valor de todo o ano passado.

Sem diária

Os vereadores Edson Firmino (PDT), Dionísio Bressan Lemos (PP) e Bete Xuxa (PSDB) viajaram na segunda-feira para Porto Alegre a fim de colher o depoimento do repórter Giovani Grizotti. Nenhum deles recebeu diária da câmara. Todo o roteiro foi feito com recursos próprios. Na conversa com os vereadores, Giovani reforçou que não houve montagem na matéria e que, de fato, o vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), disse à ele a frase “Eu não vim aqui pra vim fazer curso de vereador não. Vim pra passear”.

Os membros da comissão chegaram a pedir para assistir a reportagem sem edição, mas isso não foi possível, uma vez que o jornalista precisou ausentar-se da reunião para comparecer na câmara de Triunfo (RS). A cidade gaúcha também foi citada na matéria e mostrou vereadores e assessores fazendo turismo com dinheiro público.

Direito de defesa

O vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), será ouvido esta semana pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da câmara de Tubarão. “Ele terá todo o espaço possível para dar sua versão do caso. Temos quer ouvir todos os lados”, enfatiza o relator da CEI, Dionísio Bressan Lemos (PP). A comissão pretende também ouvir representantes do Instituto Nacional Municipalista (INM), responsável pelo curso de qualificação. Eles esperam documentos com toda a carga horária dos seminários para confrontar com as informações fornecidas pelo jornalista Giovani Grizotti, responsável pela matéria que denunciou Jarrão e outros vereadores do país.

Inocente

O vereador de Tubarão Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), chegou a participar da sessão da câmara nesta segunda-feira, mas saiu de fininho assim que terminou a ordem do dia. Jarrão alega inocência diante das denúncias feitas pela reportagem veiculada no Fantástico, há nove dias. “Eu disse a frase por brincadeira e aquela hora não tinha curso, estávamos de folga”, defende-se. A assessora do parlamentar, Cynara Guimarães Antunes, foi procurada pelo Notisul, mas não quis falar sobre o assunto.

Diárias

Ao contrário do que foi publicado no Notisul ontem, o salário líquido de um vereador em Tubarão é de R$ 4.900,00, e não R$ 4.090,00 como foi divulgado. O salário bruto é de R$ 6.090. Se os dois dias em que o vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), faltou na sessão da câmara forem descontados da sua folha de pagamento, o salário cairá para R$ 3,7 mil.