Na esquerda, a enfermeira Manuela, o paciente Antônio, a enfermeira Juliana, e a voluntária da Unionco, Ana Lúcia. O trabalho em equipe é um dos diferenciais para o tratamento dar certo.
Na esquerda, a enfermeira Manuela, o paciente Antônio, a enfermeira Juliana, e a voluntária da Unionco, Ana Lúcia. O trabalho em equipe é um dos diferenciais para o tratamento dar certo.

Zahyra Mattar
Tubarão

Há três anos, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão, implantava um setor exclusivo para atender pacientes com câncer: a Unionco. Até então, como se não bastasse todo o desgaste e o sofrimento da doença, as pessoas da região precisavam ir para Criciúma ou Florianópolis.
Mas este tempo é passado. Desde então, dos cânceres de maior incidência entre a população da Amurel, 600 casos foram atendidos em Tubarão. A maioria, 50%, é de mama.

Este número, ainda que não revele o total neste período, mostra ainda que a doença é mais incidente entre as mulheres. Além da mama, elas sofrem mais de câncer de cólo de útero (48 casos), pele (44), aparelho digestivo (30) e estômago (21).
Entre os homens, a maior quantidade de casos está entre os que desenvolvem câncer de próstata: foram 72 pacientes em três anos. Na sequência, vêm os casos de estômago (52), pele (48) e pulmão (37). Atualmente, a Unionco realiza aproximadamente 300 consultas e 200 atendimentos de quimioterapia por mês.

O acompanhante, explica a enfermeira Manuela Santos de Sousa, também é “tratado”. “Em alguns casos, o acompanhante precisa de mais auxílio do que o doente. Por isso, temos um serviço de psicóloga, por exemplo”, valoriza. “Não é fácil para quem é paciente e para quem trabalha. Por isso, nos dedicamos ao máximo tanto no tratamento quanto na prevenção”, completa Juliana Gomes Nazário, também enfermeira da Unionco.

Voluntariado e humanização: isso sim faz a diferença

As pessoas têm uma arma para lutar contra o câncer. E a maioria, acredite, nem sabe disso! É a vontade de viver, a esperança de superar a si mesmo, a seus limites. O garçom aposentado Antônio Agostinho da Silva, 60 anos, é um exemplo. Ele descobriu que tinha um câncer no intestino.

Sem desanimar, submeteu-se a uma cirurgia para tirar 36 centímetros do órgão. Isso foi há cinco meses. Desde então, ele visita “suas meninas” – como carinhosamente chama as enfermeiras da Unidade de Oncologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão – com frequência.

Seu Antônio é um dos mais de 200 pacientes que fazem quimioterapia todos os meses na Unionco. “Descobri porque minha barriga virou um tambor de dura. Aí fui no médico. Hoje, estou ótimo e pronto para a próxima”, anima-se.

O aposentado não perde a oportunidade de salientar a importância do grupo de voluntárias da Unionco e do carinho das “meninas”. “A gente é tão bem tratado que até gosto de vir fazer o tratamento. Elas vão ter que me aturar por um ano, mais ou menos (risos). As enfermeiras são muito queridas e as voluntárias sempre levantam o ânimo quando a gente chega um pouco pra baixo”, valoriza.