Amanda Menger
Tubarão

Desde julho, 140 cães das cuidadoras Cláudia Juliana Rodrigues Machado e Maria Mendes estão abrigados no horto municipal, no bairro Monte Castelo, em Tubarão. Elas receberam uma ordem de despejo e, para que os cães não fossem jogados na rua, a prefeitura cedeu o local. Contudo, a situação é complicada. Sexta-feira, a ração doada pelo município foi suspensa. Além disso, 50 cães morreram por problemas de saúde.

“O calor é insuportável, e há larvas que saem do chão e atacam os cães. Já morreram 50 bichinhos. Hoje, tem 140 cachorros no horto e mais 40 na minha casa. Nos primeiros dias, as pessoas iam até lá e jogavam os cães no horto”, relata Juliana.
As cuidadoras esperam o repasse dos medicamentos prometidos em agosto. “Uma veterinária, voluntária do Movimenta-Cão, fez uma avaliação dos cães e a secretaria de desenvolvimento rural da prefeitura prometeu os medicamentos, mas não os recebemos”, diz Juliana.

Para não deixar os animais passarem fome, o Movimenta-Cão comprou 500 quilos de ração. “O que compramos não irá durar muito. Mantive contato com o vice-prefeito, Pepê Collaço (PP), com o chefe de gabinete do prefeito, Evaldo Tonelli, e alguns vereadores e pedi que revissem o caso. Não temos condições de suprir o horto, as outras cuidadoras e ainda as castrações com o recurso do convênio”, lamenta o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Movimenta-Cão, Francisco Beltrame. Do convênio de R$ 40 mil, divididos em quatro parcelas, apenas a primeira foi repassada.

Sem previsão orçamentária

O repasse de rações para os cães que estão ao lado do horto municipal foi suspenso porque o valor que pode ser gasto sem licitação, em torno de R$ 8 mil, chegou ao limite. “Para continuar, teríamos que fazer uma licitação, mas não temos previsão orçamentária para isso. Só para o ano que vem. Temos que rever essa questão. A decisão de levá-los para o horto foi paliativa”, observa o vice-prefeito, Pepê Collaço (PP).

Também ficou para o próximo ano a implantação do canil municipal. Isso porque, além de não ter mais verbas, o local não está definido. A primeira área apresentada, próximo ao horto, é um sambaqui. A segunda opção, um terreno no bairro Madre, tem problemas na documentação. Há outra área em vista também na Madre, mas nada foi definido.

Já as cuidadoras, conseguiram emprestado com o vereador Edson Firmino (PDT) um terreno no KM 60 para construírem uma casa e abrigos para os cães. Porém, não conseguiram mudar-se. “Vou todas as semanas na prefeitura pedir que passem a máquina no acesso. Se a estrada estiver boa, em 15 dias, conseguimos montar a casa e os abrigos dos cães. O secretário de desenvolvimento rural da prefeitura, José De Pieri, sempre dá uma nova data para mandar a máquina”, relata a cuidadora Cláudia Juliana Rodrigues Machado. Zezinho exemiu-se da responsabilidade. “Assinamos o convênio com a ONG. A parte de alimentação e medicação é com eles”, disse o secretário.