Produtores de Pedras Grandes e Urussanga apresentam produto artesanal em diversas feiras. - Foto: Ricardo Sorato/Divulgação/Notisul.
Produtores de Pedras Grandes e Urussanga apresentam produto artesanal em diversas feiras. - Foto: Ricardo Sorato/Divulgação/Notisul.

Lysiê Santos
Pedras Grandes

Embora a ‘marvada’ pinga atrapalhe muita gente, a bebida genuinamente brasileira tem ganhado mercado e conquistado o paladar dos países estrangeiros. Atentos a este nicho, os produtores Celi Sorato e José Anoldo Sorato, de Pedras Grandes, enxergaram na cachaça um novo ramo de negócios.

Os irmãos que produziam fumo, cansados do baixo retorno da lavoura, decidiram investir na produção de cachaça artesanal há cerca de 12 anos. “Vimos na cachaça uma opção para melhorar a renda da família. Em 2004 fiz alguns cursos de capacitação e comecei a produzir a bebida”, afirma Celi. 

Os agricultores foram orientados a formar uma cooperativa para viabilizar o empreendimento.  Foi então que se associaram à Cooperativa Familiar Agroindustrial Sul Catarinense (Coofasul) e, atualmente, ao lado dos sócios Joelson e Jetúlio, de Urussanga, criaram o negócio.

A produção inicial era de aproximadamente cinco mil litros, foi crescendo e, hoje, a unidade familiar conquistou sua própria marca: Cachaça Imigrante. “Há poucos meses conseguimos o registro e o nosso produto já pode ser encontrado em mercados e restaurantes da região”, comemora Ricardo Sorato, filho do produtor Celi Sorato, de Pedras Grandes. 

Ricardo auxilia o pai na unidade que está em fase de expansão. A conquista do registro tem levado os produtores a apresentar a cachaça em feiras e eventos gastronômicos. Eles relatam que o objetivo é alcançar públicos maiores com foco no turismo. “Nas próximas semanas vamos levar nosso produto para os mercados e restaurantes da Serra catarinense, por onde passam milhares de turistas por ano”, agenda Ricardo. 

Em Santa Catarina
A tradição de produção da cachaça chegou com imigrantes açorianos e depois se expandiu para o interior, com a vinda de imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos.

Cachaça artesanal x cachaça industrial
A cachaça artesanal – É fabricada em uma pequena indústria, denominada engenho, geralmente familiar, que trabalha com pequenos volumes ou bateladas. A cachaça é feita em alambique, operado manualmente pelo aguardenteiro ou alambiqueiro, destilo a destilo.

A cachaça industrial – Não é obtida em alambiques, mas em destiladores de coluna, chamados destiladores contínuos ou colunas industriais de destilação. São equipamentos peculiares à produção do álcool. Na indústria, trabalham-se grandes volumes de caldo de cana, que, depois de fermentado são destilados, obtendo-se milhares de litros de cachaça por dia. Os grandes volumes fermentados são integralmente destilados, não sofrendo nenhum tipo de separação de partes, o que ocorre no regime artesanal.

Produção diferenciada reúne apreciadores
A produção da cachaça artesanal Imigrante é feita na propriedade de agricultores em Pedras Grandes. Com alguns hectares de cana de açúcar, a matéria-prima passa pelo processo de corte, moagem, fermentação com levedura selecionada, e destilação, o que resultou na criação de duas linhas: a prata e ouro.

“Após quase seis anos pesquisando com auxílio dos técnicos da Epagri, conseguimos trabalhar com a cachaça prata, que é armazenada em barril de inox, e também com a ouro, que passa por um período de envelhecimento em um barril de carvalho francês. Esse processo dá um sabor diferenciado da madeira, como é feito o whisky”, detalha o produtor Celi Sorato.

A família pretende manter a tradição e ampliar a unidade para visitação. “Já estamos reformando o espaço para que os consumidores conheçam todo o processo de produção. Nosso intuito é crescer a marca sem perder nossas raízes em manter a linha artesanal”, destaca. 

Bebida destilada movimenta mercado promissor
A cachaça é o terceiro destilado mais consumido no mundo e é considerada, por decreto federal, produto cultural do Brasil. Números da indústria da cachaça demonstram que a bebida possui grande potencial para decolar também externamente. Anualmente, o país produz 1,8 bilhão de litros ao ano. Existem mais de 40 mil produtores, 98% são de pequenos e microempresários, gerando 600 mil empregos diretos. Com números tão expressivos, o mercado, de fato, é promissor.

De acordo com o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça (CBRC), o setor movimenta, anualmente, cerca de R$ 7 bilhões em sua cadeia produtiva.