Zahyra Mattar
Tubarão

A greve dos funcionários do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) completa 15 dias hoje. Os trabalhadores reclamam do descumprimento, por parte do governo federal, do acordo firmado em junho com a categoria. Em Santa Catarina, a adesão ao movimento é de 100% (96 servidores estão de braços cruzados). Medições, liberação, efetuação de novos projetos, licitações e aprovação de novas obras não são feitas – caso da construção da nova ponte em Cabeçudas, em Laguna, e do túnel do Morro do Formigão, em Tubarão.

Apesar disso, o órgão garantiu ontem que acompanhará e dará todo o suporte necessário para os reparos necessários nos locais mais atingidos pelas chuvas da última semana. No trecho sul da BR-101, “novos buracos” surgiram devido à intensidade e constância da água. Nas pistas não duplicadas, onde o pavimento é velho, será feita uma operação tapa-buracos.

Nos locais onde não há possibilidade de desviar o tráfego por falta de vias marginais à rodovia, o motorista deverá ter paciência. As negociações, paralisadas até a última sexta-feira, foram retomadas ontem. Apenas a reivindicação salarial não foi atendida. A categoria pedia ainda regulamentação do órgão e criação de um plano de cargos e salários, entre outras pautas. Hoje, a comissão nacional de greve fará uma reunião para avaliar o movimento a nova proposta do governo.

Já faltam plaquetas nos bancos de sangue do estado
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público (Sintespe) de Santa Catarina, cerca de 70% dos servidores da secretaria de saúde do estado lotados no Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) e no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) cruzaram os braços ontem, no primeiro dia de mobilização da categoria.

No hemocentro de Florianópolis, coordenador de todos os outros do estado, o comando de greve autorizou apenas a coleta de plaquetas para distribuição aos hospitais próprios da rede e conveniados. O estoque de componente do sangue, a parte mais utilizada nas emergências, é considerado crítico em Santa Catarina.
Em Tubarão, os funcionários da unidade de coleta não sinalizaram participação, já que a coordenação é feita pelo Hemocentro de Criciúma, que não aderiu à greve em sua maioria.

“Começaremos a visitar as unidades e hemocentros onde a adesão é pequena para sensibilizar os colegas. Nossa luta não é salarial, mas pela preservação dos dois órgão. Não admitimos que os trabalhadores sejam cedidos a orgãos públicos. Consideramos isso um espécie de privatização velada”, aponta o presidente do Sintespe, Mario Antonio da Silva.
Ontem, no fim do dia, a secretaria de saúde do estado emitiu uma nota onde garantia que não haverá privatização do setor. Hoje, o comando de greve abrirá novo canal de negociações com o estado e promoverá nova reunião para avaliar o movimento.

Tubarão
A coleta de sangue em Tubarão continua normalmente. A unidade funciona todos os dias, das 7h30min às 12h30min.

Bancários continuam em greve
As negociações entre funcionários e bancos continua emperrada. Ontem, uma nova rodada de conversas terminou sem sucesso. A greve da categoria continua hoje em todo o país. Na Amurel, Besc, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banrisul estão fechados desde o último dia 9. Cerca de 450 trabalhadores participam do movimento na base sindical de Tubarão.

A categoria reivindica 16% de aumento salarial, maior participação nos lucros, revisão do plano de carreiras e salários, entre outras pautas que contemplam também cláusulas sociais, sindicais e de saúde. Os bancos ofereceram 9% de aumento, mas somente para os bancários com vencimento de até R$ 1,5 mil. Aqueles com salário superior teriam 7,5% de reajuste.