Assédio moral é um dos principais problemas enfrentados pelos funcionários de bancos. - Foto: Kalil de Oliveira/Notisul.
Assédio moral é um dos principais problemas enfrentados pelos funcionários de bancos. - Foto: Kalil de Oliveira/Notisul.

Kalil de Oliveira
Tubarão

A greve dos bancários na região foi antecipada de segunda-feira próxima para hoje, conforme decisão em assembleia da categoria, em Tubarão, ontem à noite. Muitos moradores da região carbonífera, que já está em greve desde terça-feira, se deslocavam para as cidades próximas para conseguir atendimento, o que praticamente dobrou o movimento nas agências bancárias. 

A greve foi o último assunto. Cerca de 50 agências de 16 municípios, imediatamente, se unem ao movimento nacional. Com 64 pessoas, às 16h50min, por unanimidade, o grupo decidiu cruzar os braços. O presidente do Sindicato dos Bancários de Tubarão e Região, Armando Machado Filho, acredita em uma adesão de 100% na rede privada e um pouco mais de dificuldade com servidores da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. 

“Entre 25 setores, os bancos são as instituições que tiveram os maiores lucros. No primeiro semestre, só o Banco do Brasil lucrou R$ 4,8 bilhões. A tarifa aumentou 30%. Em contrapartida, temos oito mil demissões e outros empregos sem proteção”, discursou.

Segundo Armando, uma negociação está prevista para hoje, às 11 horas, na Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), em São Paulo. “Se atenderem as reivindicações, a categoria volta imediatamente, mas não acredito nisso agora”, avaliou. A última e maior greve bancária ocorreu no ano passado e durou 22 dias. A pauta varia de acordo com o banco, em uma média de 90 cláusulas, das quais o destaque é o fim das metas impossíveis, consideradas assédio moral pela categoria, e um reajuste acima da inflação.

Lotéricas são opção para pagamento das contas
Por enquanto, os correspondentes bancários, como lotéricas e Correios, são a alternativa para quem precisa pagar as contas. Há ainda a opção de pagamento pela Internet ou celular, por dispositivo próprio dos bancos. No caso do autoatendimento, o movimento estuda maneiras de dificultar o serviço, como forma de pressionar os bancos. O uso forçado dos caixas eletrônicos, segundo os grevistas, é favorável aos bancos, que estabelecem metas a este respeito. “As pessoas que não interessam aos bancos não estarão nas agências. Aí a greve pode mesmo ir bem ao benefício dos banqueiros”, analisa.