Zahyra Mattar
Tubarão

A divulgação de uma nota, onde ficou imputado um casos de suspeita de gripe A em uma aluna do colégio Dehon, caiu como uma bomba em Tubarão nesta sexta-feira. Teoricamente, a criança teria tido contato com a mulher cujos resultados dos exames laboratorias confirmaram a doença nesta semana. Isto, porém, não ocorreu. O caso que todas acreditavam ser suspeito foi minuciosamente investigado e não se trata de gripe A, e sim da influenza comum. A criança está internada e passa bem.
A precipitação colocou em risco os trabalhos de prevenção e monitoramento feitos na região. Mesmo com o descarte do caso, a diretoria do Colégio Dehon resolveu adiantar o período de férias, ainda que não seja este o recomendado pela 20ª gerência de saúde em Tubarão. Em nota, o diretor José Antonio Matiolla frisou que a decisão é exclusivamente da instituição.

Mesmo assim, por medo, outras escolas de Tubarão e Capivari de Baixo queriam fazer o mesmo. “O caso confirmado em Tubarão ocorreu no começo do mês passado. Não há como ter havido a contaminação. Nosso receio agora é que as pessoas parem de nos procurar por medo de serem expostas como esta família foi. Não sei como e de onde a informação vazou, mas causou grave prejuízo. É preciso ter responsabilidade”, lamenta a coordenadora regional de imunização, Ingrid Bitencourt.

A profissional de saúde explica que a nova gripe pode ocorrer somente em pessoas que voltaram de países confirmadamente endêmicos (exemplo: EUA, Chile e Argentina). Caso a pessoas sintam sintomas de gripe por até sete dias, é possível que seja o vírus H1N1. Se a pessoa não voltou de viagem do exterior, mas teve contato com alguém considerado suspeito, também deve informar o sistema público de saúde de sua cidade. “A chance de casos foram desses exemplo serem gripe A são praticamente nulas”, indica Ingrid.

Saiba mais
Nesta sexta-feira, conforme a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) do estado, são 56 casos confirmados de influenza A e 93 suspeitos.
Do total de casos confirmados, cinco foram registrados nesta sexta-feira: uma adolescente de 15 anos, de Blumenau, que esteve no Chile; uma mulher de 43 anos, de Forquilhinha, que viajou ao Paraguai; um homem de 30 anos, de Brusque, uma mulher de 45 anos, de Florianópolis, e uma mulher de 25 anos, de Orleans. Estes três últimos voltaram de uma viagem à Argentina. Nenhum deles necessita de internação hospitalar.

Em Tubarão, um caso foi confirmado nesta semana (uma mulher) e um outro descartado (um homem). Outros dois são considerados suspeitos e aguardam os exames laboratoriais. Ainda na Amurel, há um casos suspeito em Laguna (mulher) e um em São Ludgero.
No Brasil, 19 novos casos de gripe A foram confirmados nesta sexta-feira. Com isso, são 756 pessoas com a doença no país. Conforme o Ministério da Saúde, quase totalidade desses pacientes já recebeu alta ou está em recuperação.
Do total de casos confirmados no país, 454 (60,1%) foram de pessoas que se infectaram no exterior e 177 (23,4%) ocorrida dentro do território nacional. Outros 125 casos permanecem em investigação.

Influenza A – Perguntas e respostas

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É esperado um aumento de casos da nova gripe? Por quê?
Sim, mas não só para a nova gripe, e sim para todos os tipos de gripe, como ocorre todos os anos. Isso porque é inverno no hemisfério sul e as baixas temperaturas favorecem circulação dos diversos tipos de vírus influenza, os causadores da gripe, inclusive o novo H1N1.

A nova gripe é mesmo parecida com a gripe comum?
Na gripe comum, a maioria dos casos apresenta quadro clínico leve e quase 100% evoluem para cura. A letalidade média no mundo é 0,4% e a quase totalidade dos óbitos é de idosos e crianças. Na nova gripe, o quadro é igual. A letalidade média observada até agora no mundo também é de 0,4%.

Quais são as principais medidas anunciadas nesta sexta-feira?
Como a nova gripe tende a se parecer com a gripe comum, a principal recomendação para os pacientes é que, ao sentirem sintomas como febre, tosse, dores musculares, coriza e dor de garganta, procurem o serviço de saúde mais próximo. Se os sintomas forem leves, o médico fará as recomendações necessárias para isolamento domiciliar, período de afastamento de trabalho e vai prescrever o tratamento. Nesses casos, não será feita confirmação por exame laboratorial. Se o quadro clínico inspirar cuidados ou for grave, o paciente será encaminhado para um dos 68 hospitais de referência. Em Tubarão, é o Hospital Nossa Senhora da Conceição.

Uma hipótese: uma pessoa vai ao posto de saúde porque tem sintomas de gripe. O médico orienta e manda a pessoa para casa, sem fazer exame. Então, quer dizer que essa pessoa, se tiver gripe A, não entra na estatística? O número de casos vai ficar subnotificado?
Não necessariamente. Surtos de influenza, seja pelo H1N1 ou qualquer outro vírus, continuam a ocorrer todos os anos. E, nesses casos, o Ministério da Saúde confirmará uma amostra de casos e todos os outros que tiverem os mesmos sintomas e estiverem no mesmo ambiente serão confirmados por vínculo epidemiológico. O Brasil tem 62 unidades da “Rede Sentinela” em todos os estados, com a função de monitorar a circulação do vírus influenza e ocorrência de surtos. Essa rede permite o monitoramento de ocorrências de surtos devido ao vírus da gripe comum – e, agora, do novo vírus – por meio da coleta sistemática de amostras.

Então, só coletam amostra se ocorrer um caso suspeito em uma escola, por exemplo?
Imagine a situação: 30 funcionários de uma fábrica estão com sintomas. Um deles tem o estado de saúde agravado. Ele será encaminhado para um hospital de referência e será feito exame. Se o resultado for positivo, todos os outros companheiros serão considerados infectados por vínculo epidemiológico, mesmo que o estado de saúde deles não se agrave.