Zahyra Mattar
Tubarão

Um misto de otimismo e preocupação toma conta da população catarinense hoje. O governador do estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e o vice, Leonel Pavan (PSDB), serão julgados nos dois processos que respondem junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Um deles é o pedido de cassação do diploma. O outro da inegibilidade dos dois políticos. Ambas as ações foram propostas pela coligação Salve Santa Catarina (PP, PMN, PV e Prona), representada por Esperidião Amin. A dupla é acusada de abuso de poder econômico e político por supostamente ter feito propagandas sobre o governo em rádios e TVs para obter vantagens nas eleições de 2006.

Luiz Henrique despachará normalmente hoje, conforme informações da assessoria do estado. Leonel Pavan está na capital federal desde ontem para acompanhar o julgamento. Se realmente forem penalizados, os dois poderão contestar o resultado junto ao Supremo Tribunal de Federal (STF), mas fora dos cargos – o processo de inegibilidade imputa pena de três anos sem participação em concorrência para cargo público, a contar de 2006. Logo, o resultado, neste sentido, é inócuo e não fere um possível candidatura deles em 2010.

Oposição torce de um lado.
Situação do outro

No estado, a principal pergunta é o que ocorrerá se o governador Luiz Henrique e o vice Leonel Pavan tiverem mesmo que deixar o cargo. A maior preocupação é quanto às obras em andamento. Na Amurel, por exemplo, há a estrada do Camacho e o Aeroporto Regional Sul, ambas em Jaguaruna, a pavimentação da SC-439, no Vale do Braço do norte, entre outras várias. Como de praxe, cada governo que entra paralisa tudo com a justificativa de “ver como está a casa e organizá-la”.

A defesa da dupla catarinense trabalhará o fato de que Luiz Henrique tinha renunciado ao mandato nove meses antes das eleições de 2006. Pavan alega que não fazia parte do governo e, portanto, não pode ser acusado de abuso de poder econômico e político. “As acusações são infundadas. Tenho certeza da absolvição”, solidariza-se o secretário regional em Braço do Norte, Gelson Luiz Padilha (PSDB).
O mesmo é dito pelos colegas Jairo Cascaes e Mauro Candemil, secretário regionais em Tubarão e Laguna, respectivamente. “O objeto da ação é sem sentido. Confio não só na justiça dos homens, mas também na divina”, diz Candemil. “Acredito que os ministros entenderão que o objeto destas ações é equivocado. Tanto eu quanto o Democratas catarinense acreditamos que ele e Pavan sairão ilesos”, completa Jairo.

Já o representante máximo da oposição na assembleia legislava, deputado Joares Ponticelli (PP), prefere não tecer comentários antecipados. “Espero que seja feita justiça. Que utilizem com LHS os mesmos critérios empregados para julgar os casos dos governadores da Paraíba (Cássio Cunha Lima – PSDB) e do Maranhão (Jackson Lago – PDT). Eu acredito na justiça e nos três votos que já foram dados pela cassação”, manifesta-se Ponticelli.