A psicóloga Leda Pibernat Pereira da Silva atua há sete anos na comarca de Tubarão e acompanha de perto casos de negligência, destituição do poder familiar e pedidos de adoção. - Foto: Priscila Loch/Notisul.
A psicóloga Leda Pibernat Pereira da Silva atua há sete anos na comarca de Tubarão e acompanha de perto casos de negligência, destituição do poder familiar e pedidos de adoção. - Foto: Priscila Loch/Notisul.

Priscila Loch
Tubarão

Cinquenta famílias estão habilitadas para adoção em Tubarão. Em contrapartida, há oito crianças e adolescentes no abrigo Bem Viver e cinco com famílias acolhedoras. Dois deles – um menino de 13 anos e uma menina de 12 – estão disponíveis para adoção, mas, como já não têm mais o perfil procurado pela maioria dos pretendentes, é bem provável que precisem permanecer no abrigo até completarem a maioridade. 

Em nível nacional, a lista de interessados é extensa e, consequentemente, por ser um processo demorado, há uma certa sensação de burocracia excessiva. Mas o que muitos não estão cientes é que a adoção é a última opção, após esgotarem todas as tentativas de a criança retornar para a família biológica. “As pessoas não entendem por que os abrigos estão cheios se tem tanta gente querendo adotar. Mas primeiro são feitos todos os esforços para que essas crianças voltem às famílias de origem. E uma grande parte volta”, explica a psicóloga forense Leda Pibernat Pereira da Silva, que trabalha há sete anos na comarca, junto com três assistentes sociais.

A equipe interdisciplinar atua principalmente em casos que envolvem família, infância e juventude, quando já há um processo judicial instaurado. Antes disso, o atendimento é feito pelo Conselho Tutelar, que faz os encaminhamentos para buscar sanar as dificuldades da família em um primeiro momento. Se não há resultado, vai para o Ministério Público, onde são feitas mais investidas para manter na esfera administrativa. 

Quando ocorre a destituição do poder familiar e os pais perdem o direito sobre as crianças é que vão para acolhimento. A legislação prevê que elas podem ficar nessa situação de transição por até dois anos, mas existem exceções, como o caso de adolescentes que não conseguem ser adotados.

O lado nada glamouroso
A adoção tem também um lado nada glorioso. As devoluções ainda são bastante frequentes, infelizmente. É a pior parte do trabalho dos profissionais que atuam diretamente nos processos. A rejeição geralmente causa mais uma ‘ferida’ e as crianças precisam passar por um atendimento ainda mais direcionado, inclusive com terapia, para que possam novamente aceitar uma outra família.

“As pessoas geralmente criam uma expectativa de filho ideal, de que a criança tem que ser grata por ter recebido uma casa, uma oportunidade. Mas se trata de uma criança que veio de uma família desestruturada, sofreu traumas. Para ela, é mais um trauma, mais um abandono”, lamenta a psicóloga Leda Pibernat Pereira da Silva. 

Já houve casos da família ficar com a criança apenas durante um fim de semana e devolver. Isso ocorre principalmente com crianças maiores. Até pouco tempo atrás, o perfil da maioria dos pretendentes a pais era para adotar recém-nascido, menina, branca. A situção melhorou um pouco e já há maior aceitação de grupos de irmãos e crianças de até 7 anos. Mas a maioria ainda prefere menores de 3 anos.

Envolvimento com drogas
Pelo menos 90% dos casos de destituição do poder familiar tem as drogas como pano de fundo. Seja o uso ou o tráfico, gera negligência, abuso, maus tratos.

Etapas do processo
O processo de adoção tem algumas etapas. Após a família apresentar a documentação, precisa passar por três etapas obrigatórias: participação no curso de preparação, com 16 horas aula, avaliação social; e avaliação psicológica. 

Lista nacional
Quem é habilitado a adoção na comarca também integra a lista do estado e do país.