Trabalhadores chegaram a colocar um caminhão na frente do portão de acesso para tentar evitar a saída de arroz.
Trabalhadores chegaram a colocar um caminhão na frente do portão de acesso para tentar evitar a saída de arroz.

Amanda Menger
Tubarão

Garantir os direitos dos 130 empregados da Arroz Campeiro é o objetivo de uma ação impetrada ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo, Alimentação e Afins da região sul de Santa Catarina. Isso porque, quarta-feira pela manhã, os funcionários foram dispensados por tempo indeterminado. A situação da empresa é considerada preocupante pelos trabalhadores, que permanecem em vigília em frente à fábrica.

“A informação que temos é de que há dinheiro para pagar os salários de março. A folha gira em torno de R$ 107 mil. Segundo eles, o dinheiro foi arrecadado com a venda de algumas sacas de arroz que estavam em estoque. A nossa preocupação é com as rescisões, estimadas em torno de R$ 350 mil”, afirma o presidente do sindicato, Vilmar Antonio de Faveri.

Segundo os empregados que fazem ‘plantão’ junto ao portão de entrada, um empresário de Turvo esteve reunido com representantes da Arroz Campeiro. “A informação que recebemos é que ele estaria interessado em comprar a marca. Mas isso não nos interessa, não garante o nosso emprego”, lamenta um funcionário.
Os trabalhadores dizem que uma outra ação é preparada. Desta vez, uma liminar para evitar que a empresa venda mais arroz e outros equipamentos. “Tem cerca de 300 sacas de 50 quilos no estoque. Vendendo a R$ 32,00 o quilo, são pelo menos R$ 480 mil. Essa é a única garantia que temos para receber nossos direitos pelo tempo que trabalhamos aqui”, relata um outro empregado.

Funcionários não têm mais expectativa de futuro

Mesmo em vigília na frente da Arroz Campeiro, os funcionários não têm expectativas de que a situação melhore. Há rumores de que as dívidas da empresa cheguem a R$ 40 milhões – R$ 10 milhões para produtores de arroz (um dos fornecedores teria R$ 2 milhões para receber) e ainda R$ 30 milhões para bancos (proveniente de financiamentos e débitos anteriores que foram renegociados).

Segundo os funcionários, a situação é no mínimo ‘estranha’ desde outubro. “Aos poucos, foram deixando as coisas ocorrerem sem muito controle. Percebíamos que as coisas não vinham bem, mas ninguém assumia a responsabilidade ou chamava os trabalhadores para conversar”, diz um trabalhador que estava há mais de dez anos na Campeiro.

Durante uma semana (entre quarta-feira da última semana e anteontem, quando foram dispensados), os funcionários só cumpriram o expediente. A última carga de arroz recebida de produtores foi no dia 10. Devido às dificuldades para receber os pagamentos, os rizicultores pararam de fornecer a matéria-prima.
A Campeiro beneficiava arroz de produtores de diversos municípios, não só de Tubarão, como Tijucas e Ilhota, em Santa Catarina, mas também Barra do Ribeiro, Cachoeira do Sul e Uruguaiana no Rio Grande do Sul.