Tatiana Dornelles
Tubarão

Os funcionários da Arroz Campeiro, em Tubarão, estão literalmente de braços cruzados desde ontem. Tudo porque a diretoria anunciou durante a manhã a dispensa por tempo indeterminado dos quase 130 empregados. O motivo seria a falta de dinheiro para pagar o salário deste mês e uma dívida na ‘casa’ dos R$ 40 milhões.
O que realmente ocorrerá com a empresa ainda é dúvida. Cogita-se a hipótese de venda para alguns empresários interessados, o fechamento com demissão de todos os empregados, ou o decreto de falência. A diretoria da Arroz Campeiro foi procurada ontem pelo Notisul, mas, através do porteiro, afirmou que irá pronunciar-se apenas hoje.

Segundo os funcionários, que ficaram de campana em frente à empresa, a diretoria buscará formas para pagar os proventos que vencem no quinto dia útil de abril. Enquanto não há dinheiro em caixa para efetuar o pagamento, todos foram liberados para ficar em casa e aguardar notícias, o que deve ocorrer em cerca de dez dias.
“A diretoria fez uma reunião hoje (ontem) de manhã com todos os funcionários e todos foram liberados para ficar em casa. A dívida chega a R$ 40 milhões e disseram que hoje não têm dinheiro para pagar o nosso salário. Mas farão o possível para pagar no quinto dia útil”, conta o operador de máquinas Silésio da Rosa Alves, que trabalha na Campeiro há 20 anos.

Os funcionários estão com poucas expectativas de que a Arroz Campeiro dê a volta por cima. “Não queremos que a empresa feche, mas as expectativa é mínima. Queremos apenas uma resposta do que vai acontecer com a gente. Se seremos demitidos, se continuaremos a trabalhar. Se realmente formos para a rua, queremos nossos direitos. É muito ruim ficar nesta indecisão e sem saber o que vai ocorrer de verdade”, lamenta o auxiliar de serviços gerais Fernando Miranda, que trabalha há dois anos na Campeiro.

Funcionários ficarão em campana

“Enquanto não derem uma resposta, a gente não sai daqui”. A afirmação é do funcionário da Arroz Campeiro Nilberto Garcia, que trabalha no setor de empacotamento e está há 19 anos na empresa.
Segundo os empregados, que ficaram a tarde toda de ontem em frente à empresa, o impasse quanto ao destino da Campeiro não os deixa procurar outro emprego. “Se eles dão uma resposta, podemos ir em busca de outro local para trabalhar. Continuaremos cumprindo o horário de serviço, sem nada para fazer. Queremos apenas uma posição”, ressalta Henrique Pickler, do setor de expedição. De acordo com informações extra-oficiais, alguns funcionários assinaram um termo de dispensa para ficar em casa. Outros não aceitaram.