O agricultor Pedro Aroldo Savalaio, de Treze de Maio, durante aplicação do BTI no córrego que passa na propriedade  -  Fotos: Lysiê Santos/Notisul
O agricultor Pedro Aroldo Savalaio, de Treze de Maio, durante aplicação do BTI no córrego que passa na propriedade - Fotos: Lysiê Santos/Notisul

Lysiê Santos
Treze de Maio

Após o expediente dá aquela vontade de ir para um local mais afastado do trânsito, como um sítio, por exemplo. Sentar na varanda e aproveitar a paisagem interiorana. Você está lá, curtindo o seu momento e… de repente uma coceira irritante tira toda a “graça” do ambiente e deixa marcas de picadas doloridas por todo o seu corpo. É, são eles: os 'chatinhos' borrachudos.

A combinação de chuvas contínuas, umidade e temperaturas acima da média contribui para a proliferação desse inseto nada querido pelas pessoas, que não está dando trégua tanto nas cidades como nas áreas rurais, principalmente.

Pela região, muita gente já reclama da presença desse tipo de mosquito da família dos simulídeos, mas que não tem nada a ver com o primo famoso, o pernilongo. Os borrachudos gostam de voar durante o dia, com sol quente, são nativos da Mata Atlântica e bem pequenos.

A picada tem uma justificativa. A fêmea se alimenta do sangue de mamíferos. Portanto, quem pica é a borrachuda. Coça porque quando o inseto pica injeta uma substância que provoca uma reação alérgica na pele.

De acordo com o engenheiro agrônomo da prefeitura de Treze de Maio, Geraldo Boêger Eller, as fêmeas de borrachudos encontram um ambiente muito propício na região para a sua reprodução em córregos e rios com muitas corredeiras e cachoeiras, as quais propiciam a oxigenação de suas águas.

Outro fator é que os cursos de água estão frequentemente sem mata ciliar, o que permite a elevação da temperatura, e acrescido da presença de esgoto doméstico e dejetos de animais criam as condições favoráveis para a procriação dos borrachudos.

“Outro fator agravante é que os nossos cursos de água recebem muita ação humana, que causam a morte de peixes nativos, por exemplo. Os jundiás e as piavas alimentam-se de larvas de borrachudos. Também é comum ouvir dizer que esse mosquito aparece mais quando vamos cortar a grama ou fazer a horta, é que nestes locais os insetos adultos gostam de se abrigar do clima adverso”, explica.

BTI diminui a incidência do mosquito, que deixa muita gente com marcas
O BTI é um inseticida biológico criado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O produto foi desenvolvido a partir de uma bactéria específica para controlar insetos e que não prejudica a saúde das pessoas, dos animais e das plantas.

O inseticida é diluído em água na proporção adequada e espalhado pelo riacho. Em poucos segundos, forma-se uma espuma. A gerente de políticas públicas rurais e urbanas da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Tubarão, Janaina de Souza Marçal de Bem, relata que a ADR distribui o produto aos municípios em quantidades pré-definidas pela Secretaria de Estado da Agricultura. Quase mil litros foram entregues nos últimos dois anos. “Faz dois anos consecutivos que ocorre essa distribuição por meio da ADR. Alguns municípios já fazem o controle por conta e os próprios moradores são os aplicadores. Eles recebem orientação da equipe das secretarias de agricultura dos municípios ou Vigilância Sanitária”, detalha. 

O engenheiro agrônomo Geraldo Boêger Eller reforça que é necessário adotar medidas de prevenção além da aplicação de inseticidas para amenizar a proliferação do mosquito que gera incômodo a comunidade.

• Não despejar esgotos ou dejetos animais diretamente nos córregos e rios; 

• Não desmatar a mata nativa nas margens de cursos de água e melhor ainda, replantar ou recuperar a vegetação nativa nestes locais; 

• Manter as condições de vida de peixes nativos por meio da manutenção de seus abrigos naturais, evitando o assoreamento, ou até mesmo repovoar os rios com peixes, se estes são raros; 

• Não soltar compostos tóxicos ou lixo nos cursos de água; 

• Aplicar, nos cursos de água, o inseticida natural conhecido como BTI.

O ciclo de vida do borrachudo
A fêmea adulta deposita os ovos em folhas e galhos submersos em água corrente dos riachos. Os ovos viram larvas e pupas, e depois de 25 dias o adulto sai de dentro da água. Quando a fêmea é fertilizada, procura um mamífero para picar, porque o desenvolvimento dos ovos que ela carrega depende da proteína do sangue, que pode ser o de um ser humano. Cada fêmea pode colocar até 2,5 mil ovos no seu ciclo de vida, que dura em torno de 30 dias.
 Ao contrário do mosquito da dengue, por exemplo, o borrachudo não gosta de água parada, e quanto mais sujeira tiver melhor. As larvas alimentam-se de matéria orgânica, por isso lixo e dejetos de animais são o combustível para o criatório do borrachudo.


Agrônomo explica que é frequente a postura de larvas nas folhas de gramíneas localizadas nas margens dos rios

Treze de Maio inicia a aplicação do inseticida
O município está na fase inicial do controle de borrachudos e já recebeu o inseticida. Segundo o engenheiro agrônomo responsável, Geraldo Boêger Eller, o controle começou nas comunidades de Rio Perdoná e Auxiliadora, com a coordenação de técnicos da Secretaria da Agricultura e da Epagri.
“Realizamos uma reunião comunitária e o estudo do rio para executar a limpeza dos cursos de água propostos pelos moradores locais. Em seguida, é realizada a aplicação do inseticida BTI em três etapas”, afirma. Ele enfatiza que é essencial a participação dos moradores das comunidades atingidas nas reuniões e nas atividades de manutenção ambiental preventiva, de limpeza de rios e de aplicação das doses de BTI para que o controle seja adequado. 


Secretaria de Agricultura de Treze de Maio já iniciou o processo de distribuição e orientação sobre a aplicação do inseticida aos moradores